Americano deportado de Mianmar volta aos EUA com senador que o libertou

Bangcoc, 16 ago (EFE).- John Michael Yettaw, o americano condenado em Mianmar (antiga Birmânia) por violar a prisão domiciliar da líder opositora Aung San Suu Kyi, foi deportado hoje depois que o senador democrata Jim Webb intercedeu a seu favor perante a Junta Militar que governa o país.

EFE |

Pouco antes de meio-dia (2h30 de Brasília), Yettaw saiu da prisão de segurança máxima de Insein em Yangun e as autoridades birmanesas o entregaram a funcionários da Embaixada dos Estados Unidos que, em seguida, o escoltaram até o aeroporto, contaram fontes diplomáticas.

"Não vou pedir desculpas por sua ação, mas acho que é um bom gesto em direção a nosso país que tenham lhe permitido voltar com sua família", afirmou Webb antes de subir no avião militar que leva os dois aos Estados Unidos via Bangcoc.

Yettaw foi expulso um dia depois que o político intercedesse perante o chefe da Junta Militar birmanesa, general Than Shwe, que aceitou repatriar o americano sem que ele tenha cumprido sua pena de sete anos de prisão com quatro de trabalhos forçados.

No sábado Webb se transformou no funcionário americano de maior categoria a se reunir com Than Shwe desde o golpe militar de 1962.

No mesmo dia o senador conseguiu se reunir com Suu Kyi, algo a que nem o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, foi autorizado, já que o chefe da Junta Militar birmanesa negou duas vezes permissão para que ele pudesse ver a prêmio Nobel da Paz quando esteve em Mianmar, há um mês.

As gestões de Webb e a libertação de Yettaw não foram bem-vistas pelo movimento democrático birmanês.

A Liga Nacional pela Democracia (LND), grupo liderado por Suu Kyi, criticou o senador por não ter obtido o perdão para a opositora e para os mais de dois mil presos políticos que seguem detidos.

Webb assegurou que conversou sobre a questão com Than Shwe e se mostrou otimista sobre uma futura anistia.

A LND e grupos da dissidência no exílio consideram que Yettaw ajudou pouco à causa com sua intromissão e que os justos pagaram pelos pecadores.

O americano foi detido em maio por entrar ilegalmente na casa da ativista, onde passou duas noites após chegar a nado pelo lago Inye sem ter sido convidado por Suu Kyi.

A invasão ocorreu poucos dias antes de expirar a prisão domiciliar que ela cumpria desde 2003.

Suu Kyi, que passou 14 dos últimos 20 anos privada de liberdade, foi sentenciada a três anos de trabalhos forçados, mas Than Shwe decidiu comutar a pena por outros 18 meses de confinamento em casa.

Durante o julgamento, Yettaw afirmou que teve em um sonho a visão de que a ativista seria assassinada e decidiu avisá-la pessoalmente do perigo indo à sua casa.

Poucos acreditam em sua história, e o regime birmanês o acusou de ser um agente infiltrado por um Governo estrangeiro com o objetivo de causar tumulto para forçar a libertação de Suu Kyi.

Yettaw, um mórmon e ex-soldado de 54 anos com frágil estado de saúde, foi considerado ao longo do processo o bode expiatório da Junta Militar, que encontrou nele a desculpa perfeita para voltar a reprimir a Nobel da Paz e impedir, portanto, que participe das eleições de 2010.

Caso aconteçam, essas eleições serão as primeiras desde 1990, quando a LND derrotou nas urnas o partido dos generais, um veredicto popular sobre o regime que Than Shwe nunca acatou. EFE tai/db

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