Americanas sequestradas no Sinai egípcio são libertadas

Negociações mediadas por líderes tribais permitiram a soltura de duas turistas e seu guia egípcio após horas de sequestro

iG São Paulo |

Um grupo de beduínos libertou nesta sexta-feira duas turistas americanas e seu guia egípcio horas depois de tê-los sequestrado no sul da Península do Sinai, próximo ao Mosteiro de Santa Catarina, informou o chefe da segurança local.

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Os três não apresentavam problemas de saúde e disseram ter sido bem tratados, afirmou o Ministério do Interior. Entretanto, não foi confirmado se as autoridades egípcias atenderam as reivindicações dos sequestradores, que pretendiam trocar os reféns por companheiros presos por tráfico de ópio.

O sequestro, ocorrido em plena luz do dia em uma estrada movimentada, representou um novo revés para a indústria turística , tão vital para o Egito, que enfrenta momentos de dificuldades por conta das revoltas do ano passado que derrubaram o regime do presidente Hosni Mubarak .

As tensões no país se intensificaram nos últimos dias, depois que uma briga em um estádio na cidade de Port Said durante uma partida de futebol provocou a morte de 74 pessoas. Manifestantes foram às ruas protestar contra a junta militar, acusando a polícia de permitir o derramamento de sangue.

Também nesta sexta-feira, homens armados e encapuzados pararam um veículo de dois italianos que trabalham em uma fábrica de alimentos próxima à cidade de Suez, levando o veículo, 10 mil euros e seus laptops, informou o diretor da companhia Mohammed Antar.

O general Mohammed Naguib, chefe da segurança no sul do Sinai, disse que os sequestradores das americanas estavam dirigindo um sedan e uma caminhonete e fugiram com as duas, que estavam retornando do mosteiro em direção a um resort na cidade de Sharm el-Sheikh.

Os sequestradores exigiam a libertação de um número de companheiros detidos nesta semana, acusados de roubo e tráfico de drogas, mas concordaram em libertar os regéns após negociações mediadas por líderes tribais e a polícia, informou Naguib.

O micro-ônibus levava três pessoas que foram deixadas para trás, segundo Naguib. Suas nacionalidades não foram informadas.

Naguib disse que os criminosos eram beduínos que resistem ao controle do governo central e foram responsáveis por diversos ataques nos últimos meses, em meio a intensificação das tensões com as autoridades, que eles acusam de discriminação.

No começo da semana, militantes islâmicos armados também sequestraram 25 operários chineses depois de interceptarem seu ônibus em outra região na península do Sinai. Eles foram libertados no dia seguinte. Os sequestradores também pediram a libertação de membros de seu grupo presos anos atrás acusados de terrorismo.

No geral, o Egito tem presenciado um aumento na criminalidade desde a revota, que retirou a polícia estatal de Mubarak que mantinha um controle rígido sobre a população de 85 milhões de habitantes. Manifestantes acusam a junta militar, que assumiu o poder desde a queda do ex-presidente, e a força policial de negligência.

O ministro do Turismo Mounir Abdel-Nour disse que no mês passado o número de turistas que veio ao Egito em 2011 caiu para 9,8 milhões dos 14,7 milhões do ano anterior.

Com EFE e AP

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