Americana Sarah Shourd agradece líder do Irã por sua libertação

Segundo Irã, libertação ocorreu após pagamento de fiança de US$ 500 mil, mas funcionário nega que EUA ou famílias pagaram valor

iG São Paulo |

Sarah Shourd, a americana solta pelo Irã nesta terça-feira depois de mais de um ano de prisão, disse estar grata ao presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, por sua liberdade pouco antes de embarcar para o sultanato de Omã , onde sua mãe, Nora, a recebeu com um caloroso abraço depois das duas horas do voo da filha. Nora afirmou ter esperado e rezado por esse momento durante 410 dias.

Após do pagamento de uma fiança de US$ 500 mil (quase R$ 855 mil), o Irã libertou Sarah , de 32 anos, que havia sido presa com outros dois americanos - seu noivo, Shane Bauer, e Josh Fattal - em 31 de julho sob acusação de espionagem. Um funcionário não identificado dos EUA, porém, afirmou que nem Washington ou a família dos americanos pagaram a fiança .

Logo após anunciar a libertação de Sarah, o Judiciário iraniano disse que a "detenção de pré-julgamento" de Bauer e Fattal, ambos de 28 anos, foi estendida por mais dois meses.

"Realmente quero agradecer todas as pessoas e governos que estiveram envolvidos, e especial e particularmente ao presidente Ahmadinejad e todas as autoridades iranianas, líderes religiosos, por seu gesto humanitário", disse Sarah ao canal em inglês Press TV.

"Estou grata. Aprendi muito com as mulheres no Oriente Médio, e tenho muito respeito por elas e a tradição que as cerca. Quero apenas garantir que meu compromisso com a verdade não mudará. Quando chegar a meu país, nunca direi nada além da verdade e não me submeterei a qualquer pressão", completou.

Ahmadinejad disse que Sarah foi solta por compaixão, porque tem problemas de saúde. Segundo sua mãe, Sarah tem sérios problemas médicos, incluindo um nódulo no seio e células pré-cancerosas de câncer de colo de útero.

Sarah, Bauer e Fattal foram presos perto da fronteira do Irã com o Iraque em julho de 2009. Suas famílias dizem que eles faziam caminhadas nas montanhas do norte do Iraque quando foram detidos. O Irã alega ter evidências de que eles têm ligação com os serviços de inteligência estrangeiros. Os EUA sempre negaram que os detidos fossem espiões. Em julho, o presidente Barack Obama pediu ao Irã que "libertasse imediatamente" os três americanos e assegurou que eles jamais trabalharam para o governo americano.

Fiança de US$ 500 mil

O presidente Obama mostrou-se "muito contente" pela notícia da libertação, mas lamentou que os companheiros de Sarah permaneçam presos. Ele e a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, agradeceram a Omã por sua assistência no caso, e autoridades americanas disseram que os negociadores do sultanato desempenharam um papel crítico de bastidor juntamente com os diplomatas suíços para conseguir a libertação. Uma das questões que mais deram trabalho foi a questão da fiança imposta pelo Judiciário iraniano, disseram as fontes.

A Press TV informou que Sarah foi solta "por uma fiança de US$ 500 mil", mas não deu mais detalhes. O valor havia sido estabelecido no fim de semana pelo promotor de Teerã, Abbas Jafari Dolatabadi, que confirmou que o valor foi depositado no banco iraniano de Muscat, em Omã. No entanto, o sultanato não informou quem a pagou.

Um funcionário dos EUA disse que Washington nem as famílias dos americanos pagaram a fiança, mas não informou quem poderia ter pago. O funcionário falou sob condição de anonimato.

Já o porta-voz do Departamento de Estado americano, Philip Crowley , disse que não poderia informar se qualquer dinheiro foi usado para conseguir a libertação, ressaltando, porém, que "foram dadas garantias  que satisfizeram as demandas iranianas sob seu sistema judiciário". Ele também disse que Washington não tem informações para sugerir que as sanções impostas contra o Irã por seu programa nuclear tenham sido violadas na negociação.

"Os EUA não pagaram nada pela libertação. Alguém ofereceu garantias suficientes para cumprir com as exigências do Irã", afirmou.

*Com AP

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