Americana presa no Irã poderia ser libertada ainda nesta 2ª-feria

Segundo advogado, a libertação deve acontecer assim que for paga uma fiança de US$ 500 mil (quase R$ 862 mil) ao Judiciário do Irã

iG São Paulo |

Sarah Shourd, do grupo de três americanos presos em julho do ano passado no Irã sob acusação de espionagem, poderia ser libertada ainda nesta segunda-feira. Segundo o advogado Massoud Shafii, a libertação deve acontecer assim que for paga uma fiança de US$ 500 mil (quase R$ 862 mil) ao Judiciário iraniano. A fiança foi estabelecida no domingo pelo procurador-geral, Abbas Jafari-Dolatabadi.

"Tudo está preparado para a libertação", disse o advogado Massoud Shafii, que viu os turistas americanos pela primeira vez no domingo. "Depende da família quando entregarão o dinheiro", afirmou. O Irã anunciou no domingo que estava pronto para libertar Sarah , de 32 anos, se a fiança fosse paga.

AP
Foto de 20/05/2010 mostra, da esq. para a dir., os americanos Shane Bauer, Sarah Shourd e Josh Fattal no hotel Esteghlal Hotel, Irã. Eles estão detidos no Irã desde 2009
No domingo, a Casa Branca reagiu às informações declarando-se "esperançosa" de que o Irã liberte Sarah, indicou o assessor presidencial David Axelrod. "Obviamente estamos esperançosos e satisfeitos com a notícia, mas já houve idas e vindas antes nessa questão. Por isso, vamos esperar o que acontece", disse à rede de televisão NBC.

O Ministério da Cultura havia anunciado que libertaria Sarah no sábado . Ela foi presa em 31 de julho de 2009 juntamente com Shane Bauer e Josh Fattal, quando os três atravessaram a pé a fronteira iraniana vindos do Iraque.

Na sexta-feira, no entanto, Dolatabadi bloqueou a libertação , argumentando que o procedimento judicial do caso continuava aberto. "Enquanto o processo de exame das acusações contra os três cidadãos americanos não tiver sido concluído, nenhum deles será liberado", declarou o procurador-geral no sábado, citado pela agência oficial Irna. Dolatabadi destacou que cabe apenas à Justiça, e não a outras instituições do Estado, decidir sobre a libertação dos americanos.

O três americanos garantem ter entrado por engano no Irã depois de ter se perdido durante uma excursão, mas as autoridades iranianas os acusam de espionagem e de ter ingressado ilegalmente no país.Em agosto, a mãe de Sarah anunciou que a filha recebera um diagnóstico de câncer e estava em depressão.

Analistas afirmam que a libertação de Sarah teria o objetivo aliviar as tensões com Washington sobre o polêmico programa nuclear iraniano. O presidente Mahmud Ahmadinejad deve viajar a Nova York no fim do mês para participar da Assembleia Geral da ONU.

Jornalista libertada

Uma jornalista e militante dos direitos humanos iraniana, que corria o risco de ser condenada à morte pela acusação de ser "inimiga de Deus", foi libertada no domingo sob fiança depois de passar nove meses detida, informou um site de oposição ao governo.

"Shiva Nazar-Ahari foi libertada da penitenciária de Evine depois de pagar uma fiança de cinco bilhões de rials" (US$ 500 mil), afirmou o portal Kaleme.com.

Nazar-Ahari, de 26 anos, foi acusada pela justiça de ser uma "moharebeh" (inimiga de Deus) por supostos vínculos - que ela negou - com a Organização dos Mujahedines do Povo do Irã (OMPI), o principal movimento de luta armada contra o regime de Teerã.

Militante ativa dos direitos humanos, Nazar-Ahari foi detida pela primeira vez pouco depois da polêmica reeleição do presidente Mahmud Ahmadinejad, em junho de 2009, que desatou uma onda de manifestações em todo país.

Solta sob fiança após três meses, ela voltou a ser detida em dezembro, quando pretendia comparecer ao funeral do aiatolá Hossein Ali Montazeri, que foi ligado ao aiatolá Khomeini no início da Revolução Islâmica e mais tarde virou um símbolo da resistência ao governo.

*Com EFE e AFP

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