Americana libertada deixa Irã em direção a Omã

Sarah Shourd foi libertada após pagamento de fiança de US$ 500 mil, ela havia sido detida com outros dois americanos

iG São Paulo |

A americana Sarah Shourd, libertada nesta terça-feira pelas autoridades iranianas após ter permanecido presa por um ano acusada de espionagem, deixou o Irã em um voo rumo a Omã. De acordo com a agência estatal iraniana de notícias Irna, o advogado de defesa de Shourd, Masoud Shafii, disse que a mãe da americana viajou dos Estados Unidos a Omã para receber a filha .

"Após o depósito da fiança, as autoridades iranianas não colocaram empecilhos para a libertação de Sarah", disse Shafii, que afirmou que o estado de saúde físico e mental de sua cliente era bom no momento da libertação.

AFP
Foto não datada mostra Sarah Shourd, do grupo de americanos preso no Irã em 2009. Ela foi libertada em 14/09/2010
As autoridades iranianas concederam liberdade à americana nesta terça-feira após o pagamento de uma fiança de US$ 500 mil. Sarah estava detida no Irã há mais de um ano por um suposto delito de ter entrado de forma ilegal no país e por tentativa de espionagem em território iraniano.

A americana, de 32 anos, foi detida juntamente com os outros turistas americanos Shane Bauer e Josh Fattal, ambos de 27 anos, em 31 de julho de 2009 quando, segundo eles, faziam trilhas pelo Curdistão iraquiano e acabaram entrando sem querer em território iraniano.

As autoridades iranianas, no entanto, acusaram os detidos de terem entrado de forma ilegal em território iraniano para cometer atos de espionagem, acusação que os três americanos rejeitaram.

AP
Foto de 20/05/2010 mostra, da esq. para a dir., os americanos Shane Bauer, Sarah Shourd e Josh Fattal no hotel Esteghlal Hotel, Irã. Eles estão detidos no Irã desde 2009
De acordo com a agência Irna, a justiça iraniana decidiu manter presos os outros turistas americanos durante os próximos dois meses.

Fiança

O valor da fiança para libertar Sarah foi estabelecido no fim de semana pelo promotor de Teerã, Abbas Jafari Dolatabadi. Na segunda-feira, sua família indicou que estava tendo dificuldades para conseguir o dinheiro . Segundo Shafie, a embaixada da Suíça, que lida com os interesses americanos no Irã desde que os EUA romperam relações com o país depois da Revolução Islâmica de 1979, pediu ao Judiciário para diminuir o valor ou suspendê-lo. Entretanto, Dowlatabadi disse mais tarde que a fiança havia sido paga no banco iraniano de Muscat, em Omã.

Autoridades afirmaram na semana passada que Sarah Shourd seria libertada no sábado , mas a Justiça iraniana suspendeu a liberação no último momento , dizendo que o processo legal não havia sido completado.

Sarah, Bauer e Fattal foram presos perto da fronteira do Irã com o Iraque em julho de 2009. Suas famílias dizem que eles faziam caminhadas nas montanhas do norte do Iraque quando foram detidos. O Irã alega ter evidências de que eles têm ligação com os serviços de inteligência estrangeiros.

Os EUA sempre negaram que os detidos fossem espiões. Em julho, o presidente Barack Obama pediu ao Irã que "libertasse imediatamente" os três americanos e assegurou que eles jamais trabalharam para o governo americano.

Desde o princípio, o caso dos três americanos causou discrepâncias no poder iraniano. O chanceler Manushehr Motaki chegou a apresentá-lo no final de 2009 como um caso de "entrada ilegal no território iraniano".Mas a linha dura do regime, liderada pelo ministro da Inteligência Heydar Moslehi, sempre achou que os americanos eram espiões.

A libertação de Sarah tem, sem dúvida, o objetivo de aliviar a tensão com Washington sobre o controverso programa nuclear iraniano . O presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, viaja no final de setembro aos Estados Unidos para participar da Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

Esses fatos acontecem quando o Irã está submetido à intensa pressão internacional por causa da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani , de 43 anos, condenada à morte por apedrejamento por acusação de adultério e planejamento de homicídio. A pena por ora foi suspensa pela Justiça.

*Com AP, Reuters, EFE e AFP

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