América Latina resiste ao neoliberalismo, dizem partidos de esquerda

(corrige título) Montevidéu, 24 mai (EFE).- Os países da América Latina e do Caribe resistem ao neoliberalismo e ao domínio dos Estados Unidos na região graças à ascensão de partidos de esquerda aos Governos de muitos deles, segundo defendem os participantes do XIV Foro de São Paulo, que acontece até amanhã na capital uruguaia.

EFE |

"Estamos vivendo um século democrático e progressista", afirmou o secretário de Relações Internacionais do Partido Comunista do Brasil, José Reinaldo Carvalho, durante seu discurso no plenário do dia.

"No Brasil, apostamos na unidade das forças democráticas e progressistas e na maturidade da esquerda para superar as tensões e as crises", acrescentou.

Carvalho disse que Colômbia, México e Peru são as "exceções mais importantes" para a "mudança de época" que vive a América Latina e o Caribe, após terem passado por "ditaduras militares pró-americanas" e por "Governos civis autoritários, neoliberais e corruptos".

A senadora colombiana, Gloria Inés Ramírez, do Pólo Democrático Alternativo da Colômbia, concordou com Carvalho ao reconhecer que seu país apresenta uma situação singular em comparação aos demais Estados da região.

Ramírez, que está entre as pessoas que serão investigadas pela procuradoria de seu país por supostas relações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), considerou que o presidente colombiano, Álvaro Uribe, é uma "peça-chave do império contra a transformação".

A senadora apelou ao caráter "internacionalista da esquerda" para antecipar-se aos interesses econômicos e à "relevância do grande capital".

"É preciso colocar a solidariedade e a cultura democrática compartilhadas antes de todo o patriotismo bolivariano", acrescentou Ramírez.

Também estava no plenário o ministro Coordenador da Política do Equador, Ricardo Patiño, que representou o presidente Rafael Correa e solicitou a união dos países da região em uma organização latino-americana que possa substituir a Organização dos Estados Americanos (OEA).

"Sem tutela de ninguém, sem os EUA e por Cuba", foram as palavras pronunciadas por Patiño (e que foram recebidas com aplausos).

O ministro equatoriano agradeceu ao Foro de São Paulo por seu "oportuno pronunciamento" ao condenar a operação das tropas colombianas em solo do Equador no último dia 1º de março.

Esse dia colocou em risco "a segurança de toda a América Latina", denunciou Patiño, que acrescentou que o presidente colombiano terá de demonstrar que suas Forças Armadas contavam, no dia da incursão, com tecnologia suficiente para efetuar uma "operação tão detalhada".

Segundo o ministro, as investigações apresentam indícios "claríssimos" de que os primeiros bombardeios foram realizados por aviões norte-americanos, por isso definiu Uribe como uma "marionete do braço imperial".

Os uruguaios Graciela García e Nicolás Schwartz, do partido governante Frente Ampla, também participaram do plenário, apresentando um balanço da evolução do foro em seus 18 anos de história.

Mais de 200 delegados de toda a América Latina e do Caribe, assim como observadores da Alemanha, Bélgica, China, Itália, Japão, Portugal e Vietnã assistem ao encontro.

É esperada ainda a chegada do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, que além de participar do foro se reunirá com seu colega uruguaio, Tabaré Vázquez, e voltará a seu país na próxima segunda-feira.

O Foro de São Paulo, criado em 1990 no Brasil, por 48 partidos e movimentos sociais para discutir os rumos da esquerda, é composto agora por aproximadamente 70 organizações políticas e sociais da região. EFE mtc/fh/fb

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