América Latina pede mais diálogo ao próximo presidente americano

Céline Aemisegger Washington, 3 nov (EFE).- O próximo Governo dos EUA deve revisar sua agenda com a América Latina, mostrar uma maior abertura ao diálogo e duplicar seu esforço em entender as particularidades da região e de cada país, disseram embaixadores consultados hoje pela agência Efe.

EFE |

Seja o democrata Barack Obama ou o republicano John McCain quem ganhe amanhã, os embaixadores de Chile, Equador, Peru e a cônsul de El Salvador em Washington o vêem claro: o próximo presidente deve olhar para trás e analisar a relação que mantiveram os EUA nos últimos anos com a América Latina.

Como bons diplomatas, evitaram se pronunciar sobre suas preferências políticas ou pessoais, mas vale dizer que todos seguiram de perto o longo processo eleitoral americano e conhecem as propostas dos dois candidatos, assim como suas visões do mundo e da América Latina.

Segundo a última pesquisa do Latinobarômetro, a América Latina prefere Barack Obama como próximo presidente de EUA, mas não tem claro o papel que ele desempenhará com a região nesta nova etapa.

O embaixador equatoriano em Washington, Luis Gallegos, sabe perfeitamente como deve ser a relação do próximo Governo dos EUA com a América Latina.

"Aspiraríamos a uma maior abertura ao diálogo, com uma maior sensibilidade para os países, não como um conjunto, mas do ponto de vista individual", comentou.

"Desejaríamos que a relação não se centrasse somente no comércio, o terrorismo e a segurança, mas também no desenvolvimento, na criação de emprego, a eliminação da pobreza e da desigualdade, e no respeito aos direitos humanos", explicou.

O diplomata equatoriano considera necessário que os Estados Unidos assumam uma "nova visão" do que é um mundo interconectado e interdependente, e que compreenda que "a solução dos problemas passa pela cooperação e não pelo confronto".

Neste sentido, Gallegos ressaltou a importância de que os Estados Unidos elaborem uma "agenda mais ilustrativa para a América Latina e Equador".

Por sua parte, o embaixador chileno em Washington, Mariano Fernández, acredita de "interesse" que os Estados Unidos "examinem o que fizeram nos últimos anos" na região e que entendam o que é "uma boa contrapartida" para o desenvolvimento da "democracia, a economia moderna e das pessoas".

"A globalização nos coloca perante um desafio complexo e EUA deveria mostrar uma maior mobilidade, flexibilidade no movimento da mercadoria e das pessoas", assinalou Fernández.

Na sua opinião, "os EUA têm uma grande oportunidade para colaborar com a América Latina em matéria de investimento, comércio e desenvolvimento cientista".

Seu colega peruano, Felipe Ortiz de Zevallos, pensa que para os EUA é "muito difícil ter uma agenda latino-americana", porque muitos temas como energia, imigração ou o narcotráfico requerem uma solução global e não tanto regional.

No entanto, qualificou de "sorte" e de "circunstância feliz" o que a próxima Cúpula das Américas ocorre em Trinidad e Tobago três meses após a mudança de Governo, o que obriga o novo presidente americano "a ter formulada, precisada e alinhada sua agenda" para a região.

Por outro lado, destacou a importância em que o tratamento com os EUA se desenvolva em um ambiente no qual a relação com alguns países da região "não seja tão conflituosa".

No entanto, o ex-embaixador boliviano em Washington, Gustavo Guzmán não expressou um grande otimismo ao afirmar, de La Paz, que não há "muito que esperar", seja qual for o novo ocupante da Casa Branca.

"Temos razões históricas para duvidar" do substituo na Presidência, mas "tomara que mudança signifique um olhar menos egocêntrico" dos EUA para a América Latina e Bolívia.

"Esperaremos o que nos proponham e tomara o próximo presidente leve (à Casa Branca) esse 'bom senso' do que falou Barack Obama e que faz-o tanta falta aos EUA em sua política para a América Latina", acrescentou.

A cônsul de El Salvador, Ana Margarita Chávez, opinou que qualquer nova administração terá claro que a América Latina "é especialmente importante para os EUA." e, por isso, "a vai a ter muito mais em conta". EFE cai/jp

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