América Latina e Caribe voltam a prometer maior integração

Costa do Sauípe (Brasil), 15 dez (EFE).- Começa amanhã a Cúpula da América Latina e do Caribe (Calc), iniciativa promovida pelo Brasil com o propósito de configurar uma região mais integrada e independente de grandes potências como os EUA A promessa de uma integração mais sólida, repetida em muitas reuniões anteriores de governantes latino-americanos e caribenhos, voltará a ser tratada nesta cúpula, junto com a mudança climática e com as crises financeira, energética e alimentícia.

EFE |

A reunião congregará cerca de 30 chefes de Estado e do Governo dos 33 países convidados, que serão recebidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, receberá aos líderes em Costa do Sauípe, a 76 quilômetros da cidade de Salvador.

Ele define a Calc como a primeira oportunidade que os líderes de ambas as regiões terão para conversar "sem tutelas" e para "debater com perspectivas e agendas próprias".

"O diálogo entre os chefes de Estado e de Governo na Calc representa uma oportunidade inédita de avançar na agenda comum construída a partir de uma perspectiva própria latino-americana e caribenha", assinalou o Ministério de Relações Exteriores, Celso Amorim.

No entanto, nem sequer Lula, que se gaba de manter boa relação com todos os países da zona, pôde "escapar" das tensões derivadas das muito distintas visões políticas que existem na região.

A expulsão da construtora brasileira Odebrecht do Equador e o posterior litígio iniciado pelo Governo de Rafael Correa para não pagar ao BNDES uma dívida de US$ 243 milhões é um exemplo recente dos obstáculos que tem pela frente o combalido discurso de integração.

A Comunidade Andina (CAN), criada a partir do Acordo de Cartagena (1969) e formada pelo Peru, Colômbia, Equador e Bolívia, está em interdição por divergências entre seus membros, especialmente desde que Lima e Bogotá decidiram iniciar a negociação bilateral de um acordo comercial com a União Européia (UE), apesar da oposição de Quito e La Paz.

Enquanto isso, a Venezuela defende sua própria idéia de integração, orientada a unir as nações do sul do continente e a reforçar a independência das instituições que chama "do norte", dominadas, segundo sua opinião, pelo Governo dos EUA.

Em uma linha parecida se movimenta Bolívia, cujo presidente, Evo Morales, anunciou que nesta cúpula proporá que Cuba retorne à Organização dos Estados Americanos (OEA) ou, caso contrário, pedirá que se funde um organismo semelhante, sem os Estados Unidos.

A presença de Cuba é, sem dúvida, uma das atrações desta reunião, por se tratar da primeira vez com Raúl Castro presidente da ilha, cargo que assumiu interinamente em agosto de 2006 e de forma definitiva em fevereiro deste ano. EFE mb/jp

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG