América Latina e Caribe querem criar organização sem EUA

COSTA DO SAUÍPE - Os líderes da América Latina e do Caribe, reunidos em cúpula inédita coordenada pelo Brasil, expressaram a intenção de criar uma organização própria de decisões conjuntas na região sem a participação dos Estados Unidos, que têm tido papel hegemônico no continente.

Reuters |


Mesmo com o antiamericanismo implícito, os países indicaram que darão um voto de confiança ao presidente eleito Barack Obama para avaliar sua política na região. Obama toma posse em janeiro.

"Vamos dar um tempo para que Obama tome posse para que a gente possa aprovar ou questionar sua política", disse Lula a jornalistas no encerramento da Cúpula da América Latina e do Caribe, realizada entre terça e quarta-feira no balneário de Costa do Sauípe, a 100 quilômetros de Salvador, na Bahia.

Sem deixar de reconhecer a importância comercial, financeira e tecnológica dos EUA, Lula falou em afastar a subserviência natural dos países emergentes frente aos países ricos.

"O comportamento subserviente de muita gente na política é que faz com que as pessoas não sejam devidamente tratadas e respeitadas", afirmou.

AP

Lula diz que América Latina deve esperar posse de Obama para avaliar sua política


Coube ao presidente do México, Felipe Calderón, anunciar que em fevereiro de 2010 os líderes irão se reunir novamente, desta vez em seu país, para iniciar a criação de uma organização que já está sendo chamada de "OEA (Organização dos Estados Americanos) sem os EUA e o Canadá."

"Pretendemos criar uma organização de Estados latinos e do Caribe, que nos permita ter nossas regras e sistemas de integração para fazer valer nossa própria identidade e força", afirmou Calderón.

Para os líderes da região seria uma segunda independência da maioria dos países da América Latina e do Caribe nos 200 anos da independência dos países da Europa.

O embrião da nova organização nasce em meio à crise financeira mundial - que, segundo os líderes, pode ser combatida com maior integração regional - e à suspensão do pagamento de US$ 3,8 bilhões da dívida do Equador, na semana passada.

A cúpula também defendeu que os EUA coloquem fim ao embargo econômico imposto a Cuba há 46 anos, como decorrência da revolução que levou ao comunismo no país. Em demonstração de solidariedade, Cuba foi admitida no Grupo do Rio, mecanismo diplomático da região. "O bloqueio não tem sentido. Só pode ser birra", disse Lula.

O encontro reuniu 20 presidentes e chefes de Estado e de governo e representantes dos demais 13 países da região. Os presidentes de países importantes, como Peru e Colômbia, enviaram vice-presidentes.

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