América Latina deve crescer 1,9% em 2009, diz Cepal

A Cepal prevê que a economia da América Latina e do Caribe crescerá 1,9% em 2009, longe dos 4,6% estimados para este ano. O Brasil, segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, deverá ter um desempenho um pouco melhor, com crescimento do PIB de 2,1% Os dados fazem parte do Balanço preliminar das economias da América Latina e do Caribe 2008, divulgado nesta quinta-feira pela secretária-executiva do organismo, Alicia Bárcena, em Santiago, no Chile.

BBC Brasil |

"A etapa de bonança (para a região) chegou ao fim, após seis anos consecutivos de crescimento econômico", afirma o documento.

A Cepal também estima que o desemprego na região deverá subir de 7,5%, em 2008, para entre 7,8% e 8,1% no ano que vem. Já a inflação deve cair, de 8,5% para 6%.

Os efeitos da crise internacional na região são apontados como a razão para as previsões. Os autores do documento afirmam que os motores do crescimento foram "desligados e não se sabe quando voltarão a ser ligados".

Brasil
Segundo estimativas da Cepal, o Brasil deverá crescer 5,9% em 2008. Para 2009, a taxa deverá ser semelhante a vista no Paraguai, no Chile, no Equador e na Colômbia - todos com previsão de 2% de crescimento.

Já a Argentina, de acordo com a Cepal, após forte etapa de expansão do PIB, deve terminar este ano com crescimento de 6,8%. A estimativa para 2009 é de 2,6%.

Entre os 20 países analisados, os que mais deverão registrar aumento do PIB são os do Peru (5%), Panamá (4,5%), Cuba (4%), Uruguai (4%) e Venezuela (3%). Um dos mais afetados pela crise internacional, por sua proximidade e dependência dos Estados Unidos, deverá ser o México, com uma expansão econômica para 2009 estimada em 0,5%.

As previsões do organismo das Nações Unidas são bem diferentes do período 2003-2008, quando além de crescimento econômico, os países da região registraram aumento na geração de empregos e queda recorde nos índices de pobreza.

Para os analistas da Cepal, os países da América Latina têm hoje melhor "equilíbrio macroeconômico", com superávits em suas contas correntes e contas fiscais, estando em melhores condições do que em outros tempos para enfrentar as turbulências internacionais. "A região está melhor preparada, mas ninguém está imune", afirma o documento.

Efeitos
Para a Cepal, a crise internacional já afeta a região. As exportações estão em queda, principalmente no México e nos países da América Central, mais dependentes das vendas às economias desenvolvidas. A queda nos preços das commodites, principalmente petróleo, metais e alimentos, também afeta a balança comercial da região.

Outro efeito se dá pela redução das remessas de dinheiro enviadas pelos trabalhadores a seus países - receita importante para diferentes países do Caribe e da América Central e, nos últimos anos, também para Bolívia e Paraguai. O turismo e os investimentos estrangeiros diretos também devem ser afetados.

A crise atinge o setor financeiro na região com o aumento do custo no crédito externo para as empresas e uma queda "brusca" na disponibilidade do financiamento internacional. Os efeitos da crise, aponta o documento, "já provocaram fortes desvalorizações das moedas locais em vários países, o que apesar de favorecer a competitividade, gera desequilíbrios nos balanços dos que estão endividados em dólares e colocaria um freio na caída da inflação".

Para os analistas da instituição, o novo quadro econômico deve afetar com maior força os que ganham menos. Para tentar amenizar ou reverter os efeitos da crise, a Comissão recomenda estimular a demanda no mercado interno e a maior integração e coordenação regional de políticas macroeconômicas, além de se incrementar o comércio entre os países deste continente.

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