América Latina culpa nações desenvolvidas por crise alimentar

Manágua, 7 mai (EFE) - A responsabilidade da atual crise alimentar mundial é culpa das nações desenvolvidas, concordaram hoje governantes centro-americanos, caribenhos e sul-americanos que discutiram o problema em Manágua.

EFE |

O presidente da Costa Rica, Óscar Arias, disse que a situação é resultado "da hipocrisia na hora de tratar os mais importantes assuntos de ordem internacional", e foi especialmente crítico com os Estados Unidos.

Segundo Arias, os US$ 1 bilhão que os Estados Unidos disseram que poderiam destinar à luta contra a crise alimentícia nos países mais pobres é o valor que essa a "gasta em um dia no Iraque".

O costarriquenho disse, além disso, que a Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), que procura liberalizar a troca de bens e serviços, é um exemplo dessa hipocrisia por parte dos países desenvolvidos, que mantêm subsídios aos produtos agrícolas.

O presidente advertiu de que os Objetivos do Milênio da ONU para combater os principais problemas sociais no mundo "não serão cumpridos", e disse que o Protocolo de Kioto "é outro grande monumento à hipocrisia".

Isso porque os países ricos, após ter "poluído o planeta" em prol de sua riqueza, "pedem-nos agora que não façamos o mesmo".

Arias afirmou, no entanto, que as nações latino-americanas devem fazer suas tarefas e não depender da comunidade internacional, e pôs como exemplo a necessidade de estabelecer políticas fiscais efetivas para fortalecer os Estados.

"Os ricos não pagam impostos em nossos países", disse Arias, que citou como exceção o Brasil, onde destacou que se paga uma taxa fiscal média de 36% da renda individual.

Já o presidente do Equador, Rafael Correa, disse que "a enorme diferença da pobreza no mundo no século XXI é que não é causada pela escassez, mas pela má distribuição" dos recursos.

Da mesma forma que os outros participantes, Correa defendeu a necessidade urgente de potenciar a produção agrícola e abandonar as políticas neoliberais de importação que, disse, os organismos financeiros internacionais recomendaram aos países em desenvolvimento nos últimos anos.

"Felizmente terminou a longa e triste noite neoliberal, que deixou nossos países à mercê das tendências dos mercados", manifestou.

Correa advertiu também que a crise alimentícia é agravada "pela mudança climática, da qual somos vítimas, e não causadores".

Na mesma linha se pronunciou o presidente da Bolívia, Evo Morales, para quem "a industrialização ilimitada é a droga para o planeta Terra e o capitalismo é sinônimo de morte", ao mesmo tempo em que propôs "declarar uma grande emergência latino-americana".

"Não esperamos nada do império (Estados Unidos), não dará uma solução", disse Morales.

"Devemos nos unir como Governos com os produtores e movimentos sociais e reivindicar políticas sobre segurança alimentar", destacou.

Participaram da reunião de Manágua, que termina hoje com uma declaração conjunta, o presidente de Honduras, Manuel Zelaya; o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro; a chanceler salvadorenha, Marisol Argueta, e a secretária de Relações Exteriores do México, Patricia Espinosa, entre outros. EFE av/iw/db

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