América Latina aposta em Obama para melhorar relações com EUA

Bogotá, 5 nov (EFE).- A América Latina mostrou confiança hoje de que a vitória de Barack Obama abrirá uma nova etapa na relação com os Estados Unidos, com uma maior cooperação, uma ampliação nos laços com Cuba e Venezuela e a solução de problemas relacionados à imigração.

EFE |

O triunfo de Obama nas eleições presidenciais dos Estados Unidos foi descrito hoje como "histórico", "extraordinário", "maravilhoso" e "promissor" pelos líderes latino-americanos, que de maneira unânime manifestaram seu desejo de estreitar os laços com os americanos.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, expressou seu desejo de colaborar com a nova Administração para alcançar objetivos comuns.

"Acho que se trata de uma oportunidade histórica", disse.

Ao pedir ao senador democrata uma guinada na política externa americana, vários dirigentes latino-americanos se pronunciaram a favor do fim do embargo econômico a Cuba, da saída das tropas do Iraque e da ampliação nas relações com os Governos de Havana e Caracas.

Assim, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou sua esperança de que Obama promova uma "relação mais forte" entre EUA, América Latina e África, acabe com um bloqueio econômico que "não tem nenhuma explicação humana" e apóie o desenvolvimento dos países mais pobres.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, também expressou seu "grande desejo" de que Obama levante o "embargo econômico a Cuba", após destacar o fato de que o senador democrata representa, como ele, os setores mais discriminados e marginalizados.

Em Cuba, representantes da dissidência confiaram que sejam levantadas algumas restrições que fazem parte do embargo vigente desde 1962 após o triunfo de Obama, que em 20 de janeiro se transformará no primeiro presidente negro dos EUA O líder venezuelano, Hugo Chávez, ressaltou que "chegou a hora de estabelecer novas relações" bilaterais com a América Latina, sobre a base dos princípios do respeito a soberania, igualdade e cooperação verdadeira".

Na Guatemala, o chefe de Estado Álvaro Colom mostrou confinaça de que Obama aproveitará a boa onda política que atravessa a América Latina, onde está se "levantando a voz da unidade", para que o continente seja "imensamente" favorecido.

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o chileno José Miguel Insulza, concordou que os EUA vão mudar após a eleição de Obama e destacou que pessoas próximas ao democrata expressaram a ele que "chegou o momento de dar um novo passo em relação à América Latina".

O presidente da Costa Rica, Óscar Arias, também disse estar feliz com a escolha de Obama que, para ele, "sem dúvida alguma vai dar uma guinada muito grande na política" exterior.

A governante argentina, Cristina Fernández de Kichner, qualificou a vitória de Obama como "um grande marco" na luta pela igualdade social, que se produz em um momento que requer "medidas audazes e inovadoras" e "ações conjuntas".

O triunfo do candidato democrata é uma "mensagem de esperança" para o mundo e a demonstração de que chega o fim de um ciclo dominado pelo neoliberalismo econômico, apontou o chanceler Jorge Taiana.

A chilena Michelle Bachelet desejou a Obama "o maior dos sucessos" e se mostrou convencida de que ele porá ênfase nos programas sociais.

O governante uruguaio, Tabaré Vázquez, manifestou seu desejo de impulsionar relações comerciais "justas e eqüitativas" com a nova Administração, enquanto o vice-presidente Rodolfo Nin Novoa afirmou que os americanos "votaram em uma mudança de época".

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, se uniu ao apoio a Obama. Disse que o democrata é um símbolo dos imigrantes, enquanto o colombiano Álvaro Uribe confiou que ele prosseguirá a cooperação na luta contra as drogas e o terrorismo.

O primeiro dirigente latino-americano a saudar o triunfo de Obama foi o mexicano Felipe Calderón, que desde ontem à noite expressou sua confiança em que a relação bilateral entre em "uma nova etapa de progresso baseada na co-responsabilidade, no diálogo franco e respeitoso, e na confiança mútua".

Ontem, ainda antes de saber que Obama tinha vencido, o presidente de El Salvador, Elías Antonio Saca, se antecipou e assegurou, em Nova York, que diria ao próximo presidente dos EUA que a "América Latina existe". EFE pmc/rr

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