América Latina apóia Lugo em denúncia de complô no Paraguai

Por Daniela Desantis ASSUNÇÃO (Reuters) - A América Latina ofereceu na terça-feira um firme respaldo ao presidente do Paraguai, Fernando Lugo, que está no cargo há três semanas e na véspera denunciou uma conspiração para derrubá-lo.

Reuters |

Embaixadores de nove países sul-americanos, do México e da Organização dos Estados Americanos (OEA) manifestaram apoio a Lugo durante um encontro convocado pelo chanceler paraguaio, Alejandro Hamed.

Lugo acusou o ex-presidente Nicanor Duarte e o general da reserva Lino Oviedo de tramarem um golpe militar.

'Os países presentes expressaram seu respaldo irrestrito ao governo do presidente Fernando Lugo, ao processo democrático no Paraguai e seu absoluto respeito pelos assuntos internos do país', disse a jornalistas o embaixador mexicano, Ernesto Campos, escolhido como porta-voz do encontro.

Campos disse que as nações do continente estão dispostas a mobilizar instituições como a OEA, o Grupo do Rio, o Mercosul e a Comunidade Andina no apoio ao governo paraguaio.

Os ministérios de Relações Exteriores de Brasil, Argentina e Chile manifestaram preocupação com a situação paraguaia.

Um comunicado do Itamaraty afirma que o governo brasileiro 'tomou conhecimento, com preocupação' das denúncias feitas na segunda-feira por Lugo.

'O governo brasileiro confia em que a inconstitucionalidade democrática será plenamente mantida no país e reafirma seu apoio ao presidente Lugo, legitimamente eleito pelo povo paraguaio', acrescentou.

A DENÚNCIA

Lugo disse que um general de alta patente foi convocado a uma reunião em que participaram Duarte, Oviedo, o presidente do Congresso, o procurador-geral do Estado e um juiz do Supremo Tribunal Eleitoral, para ser indagado sobre um conflito que paralisa o Senado.

O general Máximo Díaz, que faz a ligação entre o Congresso e as Forças Armadas, disse que foi consultado por Oviedo sobre a posição dos quartéis a respeito da crise, o que segundo Lugo constitui uma ameaça a democracia.

'Está claro que se pretende alterar a ordem institucional.

Achamos que isso não vai ocorrer, porque as Forças Armadas estão subordinadas ao poder civil', disse o ministro do Interior, Rafael Filizzola, numa entrevista coletiva.

'Não posso avaliar se houve ou não uma intentona golpista.

Não está ao meu alcance avaliar isso. Eu relatei os fatos, quem estava ali e por que eu não devia estar ali', disse por sua vez o general Díaz.

Tanto Duarte como Oviedo, dois importantes líderes políticos opositores ao governo centro-esquerdista de Lugo, asseguraram que o presidente foi enganado.

(Reportagem adicional de Mariel Cristaldo)

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