América do Sul realiza cúpula sem a presença de Álvaro Uribe

Os presidentes da América do Sul realizam nesta segunda-feira uma cúpula em Quito sem a presença de chefe de Estado da Colômbia, Álvaro Uribe, que decidiu não participar, e que terá como tema de debate um acordo que permite aos Estados Unidos usar bases militares colombianas, motivo de crítica por um grupo de países encabeçado pela Venezuela.

AFP |

Até a meia-noite de domingo, os chanceleres da União das Nações Sul-americanas (Unasul) trabalharam numa declaração conjunto da qual, até o momento, ficou excluído um pedido da Bolívia para que se repudie o acordo entre a Colômbia e os Estados Unidos.

Apesar de a proposta não ter sido incorporada plenamente, há um consenso no sentido de discutir o polêmico tema, segundo as fontes.

Além da segunda cúpula da Unasul, Quito é cenário dos festejos do bicentenário da independência equatoriana e da posse do segundo mandato consecutivo de Rafael Correa.

Os problemas estão à flor da pele no continente por conta de um acordo das bases militares colombianas e a Colômbia, principal aliado da Casa Branca na América do Sul, defende seu direito de combater as drogas e o terrorismo através desta aliança - que, para governos de esquerda como os da Bolívia, o Equador e a Venezuela, representa uma ameaça de segurança regional.

A Venezuela foi além das críticas, congelando suas relações com o governo de Álvaro Uribe. Como se não bastasse, a decisão significou mais um nó na complicada crise entre Colômbia e Equador, que romperam relações diplomáticas em março de 2008.

O presidente venezuelano Hugo Chávez, inclusive, pediu neste domingo a Uribe que "dê as caras" na reunião da Unasul e lamentou que no encontro não seja possível aprovar um documento conjunto contra a presença norte-americana nesse país sul-americano.

"Que dê as caras e explique. Estão tentando ocultar a verdade (...) Agora, os colombianos dizem que não são bases militares. O que são, parques infantis?", ironizou o mandatário venezuelano.

Assim, a cúpula de Quito gera interesse não tanto pela mudança da presidência rotativa - que o Chile entregará ao Equador -, e sim pelas eventuais declarações que podem marcar o tom da próxima reunião do Conselho de Defesa, onde será analisado o pacto entre Colômbia e Estados Unidos.

Quito, no entanto, não será apenas sede da cúpula da Unasul: também será palco da cerimônia de posse de Correa - que, reeleito, tomará posse para mais um mandato - e das comemorações dos 200 anos da independência do Equador.

Aos 46 anos de idade, há dois no poder, Correa já antecipou uma radicalização de sua "revolução" para esta nova etapa - o que, segundo seu governo, implicará na desapropriação de terras improdutivas, no investimento nas camadas mais pobres da população e na tomada de uma posição de força em relação às multinacionais petroleiras.

Correa chega a seu segundo mandato com popularidade superior a 50%, embora acuado por um escândalo que agravou ainda mais suas relações com a Colômbia: as denúncias de suas supostas relações com a guerrilha das Farc.

O governo alega que tudo não passa de uma manobra para desprestigiar o presidente.

vel/ap/cn

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