América do Sul e África selam aliança com o desafio de agilizar integração

Esther Borrell. Porlamar (Venezuela), 27 set (EFE).- Líderes da América do Sul e da África, entre eles o presidente Luís Inácio Lula da Silva, selaram hoje na ilha Margarita (Venezuela) uma aliança entre ambas as regiões cujo desafio é agilizar a integração por meio de planos concretos, além do compromisso político.

EFE |

Ao final da segunda Cúpula América do Sul-África (ASA), que reuniu durante dois dias cerca de 30 governantes na Venezuela, representantes de diversos níveis dos 66 países participantes aprovaram uma declaração de 30 páginas na qual se comprometem a "incentivar a cooperação Sul-Sul".

Além disso, a chamada Declaração de Nova Esparta, nome do estado venezuelano que inclui a ilha Margarita, estabelece instrumentos para reforçar o processo de integração, como reuniões ministeriais regulares, e destaca o Plano de Ação decidido nesta segunda cúpula para dotar o discurso político de planos concretos.

"Nos vemos em setembro de 2011" na Líbia, disse o presidente da Venezuela e anfitrião da cúpula, Hugo Chávez, ao encerrar a reunião e se despedir de seus colegas.

O documento final inclui o "total apoio" dos países da ASA à reforma do Conselho de Segurança da ONU e ressalta sua "decisão de fortalecer" a cooperação na luta contra formas de "delinquência organizada".

Os presidentes também expressam no texto sua condenação ao "terrorismo em todas suas formas e manifestações" e rejeitam "qualquer relação entre o terrorismo e uma cultura, etnia, religião ou povo em específico".

Os documentos finais também aprovam a criação de uma Secretaria da ASA, que estará a cargo da Venezuela, e de uma "mesa presidencial", ambas propostas por Chávez.

"Decidimos instalar aqui (na ilha Margarita) a Secretaria da ASA", anunciou o presidente venezuelano em um dos diversos discursos que fez durante o final de semana.

Estiveram presentes nos debates presidentes sul-americanos como Cristina Fernández de Kirchner, da Argentina; Evo Morales, da Bolívia; Michelle Bachelet, do Chile; Rafael Correa, do Equador; Fernando Lugo, do Paraguai; e Tabaré Vásquez, do Uruguai, além de Lula e Chávez.

Também compareceram ao encontro na ilha venezuelana governantes africanos como o líder líbio, Muammar Kadafi, e os presidentes da Argélia, Abdulaziz Bouteflika; do Zimbábue, Robert Mugabe; e da África do Sul, Jacob Zuma.

Tanto pelo lado da América do Sul como pelo da África, houve vozes favoráveis à necessidade de "planos concretos" que avancem além do compromisso ou da vontade política.

O presidente Lula propôs a criação de "um grupo de trabalho fixo, permanente" que determine, aborde e avance sobre temas precisos que permitam que ambas as regiões "cheguem à próxima cúpula com resultados".

Cristina Kirchner também defendeu a criação de "instrumentos eficazes que possam unir" as economias das duas regiões para "passar da retórica unionista à efetividade", enquanto o presidente da Comissão da União Africana (UA), o gabonês Jean Ping, pediu resultados "concretos".

Entre os governantes africanos presentes, Muammar Kadafi foi o que criou a maior expectativa entre a opinião pública local, os delegados e os quase 500 jornalistas credenciados.

Hospedado em sua característica tenda, foi lá que o líder líbio recebeu vários presidentes, entre eles Hugo Chávez.

Anfitrião da próxima reunião de líderes da América do Sul e da África, Kadafi propôs em seu discurso no sábado a criação de uma Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) "do Atlântico Sul".

"No sul estão as riquezas, mas o norte se aproveita delas", declarou Kadafi, atualmente presidente temporário da UA. EFE eb/bba

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