América do Sul e África consolidam cooperação

América do Sul e África consolidaram sua cooperação bilateral neste final de semana, com a elaboração de projetos concretos em áreas como energia, finanças, comércio, tecnologia e saúde, durante a II Cúpula da ASA, realizada na ilha venezuelana de Margarita.

AFP |

Na declaração final do encontro, cerca de 60 países acertaram neste domingo "fortalecer" os sistemas econômicos das duas regiões, criar medidas de "proteção financeira" e incrementar os intercâmbios comerciais.

"Concordamos com a necessidade de fomentar o desenho de uma nova arquitetura financeira internacional e regional, com a finalidade de obter um desenvolvimento integral de nossos povos".

A Cúpula decidiu sobre a necessidade de se "fortalecer os sistemas regionais, por meio da promoção de instituições financeiras e monetárias favorecedoras de uma visão de solidariedade, cooperação e desenvolvimento".

O documento final destaca a necessidade de se "avançar na adoção das medidas de proteção financeira para prevenir os custos da crise econômica internacional".

O encontro concluiu que é preciso haver um fomento "ativo do intercâmbio Sul-Sul" baseado nos "princípios de transparência, complementação, cooperação e solidariedade, que permitam uma distribuição adequada dos benefícios derivados do intercâmbio de bens e serviços".

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a posição econômica privilegiada do Brasil, que passou de um país que recebia recursos a um país contribuinte, o que o motiva a buscar novos sócios e relações comerciais.

"Necessitamos buscar novos sócios, novas relações. Esta crise (econômica) fez com que os países com mais opções sofressem menos porque não dependem apenas de um bloco".

"O século XXI pode ser o século da África e da América Latina. Dependerá mais de nossas decisões do que de nossos sonhos, de ajudas externas", destacou Lula.

Dentro das iniciativas financeiras, os sete países sul-americanos assinaram a constituição do Banco do Sul, projeto lançado em 2007 e que servirá como fundo econômico para reduzir a dependência da região a instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Na área diplomática, a Cúpula deu seu "total apoio" à reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, para garantir uma real participação dos países em desenvolvimento das regiões sul-americana e africana.

Há a finalidade de "corrigir os atuais desequilíbrios e fazer do Conselho um órgão mais democrático, transparente e legítimo, que responda às novas realidades políticas", destaca o documento final, que faz uma ampla defesa do "multilateralismo".

O Brasil defende um Conselho de Segurança ampliado, no qual ocuparia uma cadeira permanente, tendo um país africano também como membro permanente.

A cúpula de Margarita foi realizada quase três anos depois da primeira reunião da ASA, em Abuja, e na Venezuela recebeu cerca de 30 chefes de Estado.

O desafio principal era passar das palavras à prática, com projetos que serão avaliados na Líbia, em 2011, na próxima cúpula birregional.

bl/dm/LR

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG