América do Sul cria conselho regional de defesa

COSTA DO SAUÍPE (Reuters) - Os presidentes da União Sul-Americana de Nações (Unasul) aprovaram na terça-feira a criação de um conselho regional de defesa, que entre outros objetivos buscará reforçar a confiança entre as Forças Armadas do subcontinente. A decisão foi adotada na segunda das quatro cúpulas regionais consecutivas que ocorrem no balneário baiano de Costa do Sauípe. Na cúpula de fundação da Unasul, em maio passado, em Brasília, a proposta havia sido rejeitada.

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O chamado Conselho de Defesa Sul-Americano, formado pelos ministros dos 14 países integrados à Unasul, "não é um instrumento de operações militares", disse o chanceler brasileiro, Celso Amorim, ao anunciar a decisão.

"É um instrumento de cooperação, de treinamento, e também prevê o desenvolvimento conjunto de indústrias nessa área, e ajudará a manter a confiança entre as Forças Armadas da região", afirmou.

A cúpula aprovou também a criação de um Conselho Sul-Americano de Saúde, "cujo objetivo é a promoção de políticas sanitárias comuns, de cooperação", segundo Amorim.

O ministro afirmou que foi discutida a designação de um secretário-geral da Unasul, cuja presidência é ocupada atualmente pelo Chile, mas que o tema será objeto de novas consultas para ser resolvido até abril.

A cúpula sul-americana foi precedida por uma reunião semelhante, do Mercosul. Em seguida, começou uma reunião que abrange toda a América Latina e Caribe, e que vai até quarta-feira.

A quarta cúpula em dois dias no luxuoso hotel baiano será a do Grupo do Rio, em que os presidentes dos países integrantes desse mecanismo de consultas políticas darão seu aval ao ingresso de Cuba.

Falando a jornalistas, Amorim disse que a adesão da ilha comunista é positiva, mas não deve ser vista como uma forma de "pressionar a ninguém."

"Agora, se servir também para que o futuro presidente dos Estados Unidos (Barack Obama) veja para que lado estão soprando os ventos, então acho útil", disse Amorim.

Vários participantes das reuniões se referiram à necessidade de uma nova relação da região com Washington sob o governo de Obama, que começa em 20 de janeiro.

(Reportagem de Julio Villaverde)

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