Brasília, 22 mai (EFE).- Os presidentes de 12 países assinarão amanhã o Acordo Constitutivo da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), novo mecanismo de integração que nasce com o objetivo de fundir o Mercosul à Comunidade Andina (CAN).

A cúpula, que será realizada em Brasília, foi convocada em caráter extraordinário por causa da atual crise entre Colômbia, Equador e Venezuela, que forçou a suspensão de outra prevista para março, na cidade de Cartagena de las Indias (Colômbia).

O Governo brasileiro propôs a reunião com o único objetivo de assinar o Acordo Constitutivo, que só entrará em vigor assim que for aprovado pelos congressos dos 12 países-membros.

Amanhã, os presidentes terão a primeira reunião no Centro de Convenções de Brasília para assinar o documento, e depois participarão de um almoço no Palácio do Itamaraty.

No entanto, ainda hoje era negociada a possibilidade de um encontro privado dos líderes para discutir a conjuntura regional, os desafios da integração e, principalmente, o conflito entre Colômbia, Equador e Venezuela.

A Unasul começou a ser formada há oito anos em Brasília, na primeira cúpula regional convocada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.

Desde então, foram realizadas outras cúpulas sul-americanas - em 2002 em Guayaquil (Equador), e 2004 em Cuzco (Peru), onde foi adotado o nome Comunidade Sul-americana.

A primeira cúpula presidencial sob esse nome aconteceu em Brasília, em 2005, e nela foi definida uma agenda prioritária e o programa de ação.

No ano seguinte, os chefes de Estado voltaram a se reunir, desta vez em Cochabamba (Bolívia), e concordaram em estabelecer o Conselho de Delegados para implementar as decisões presidenciais e ministeriais.

A mudança de nome aconteceu em abril do ano passado, na 1ª Cúpula Energética Sul-Americana, realizada na Isla Margarita (Venezuela), onde foi adotada a sigla Unasul, organização integrada por Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela.

Na Isla Margarita, ficou decidido que a nova plataforma terá uma secretaria permanente com sede em Quito e que, no futuro, será constituído um Parlamento Sul-americano, que inicialmente coexistirá com os já existentes Parlamentos do Mercosul, Andino, Amazônico e Latino-americano.

O ministro das Relações Exteriores Celso Amorim admitiu que é impossível evitar a "superposição de atribuições", mas considerou que se trata de "um bom problema" para ser resolvido.

O documento, que será assinado amanhã pelos presidentes, foi acordado nos últimos detalhes em uma reunião de diplomatas realizada em Caracas, em maio, e define a criação de um conselho de chefes de Estado, outro de ministros de Relações Exteriores e outro de delegados.

Segundo Amorim, "desde a fundação do Mercosul, em 1991, é o primeiro tratado que cria uma organização de países na região e que não se baseará em declarações políticas, que podem ou não ser seguidas", mas que terá bases constitucionais.

O objetivo final, em um prazo não estabelecido, será integrar em um só espaço o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e a CAN (Bolívia, Colômbia, Equador e Peru) e se unirem a Suriname, Guiana, Chile e Venezuela, que atualmente não pertencem a nenhum desses blocos como membros plenos.

Em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentará formalmente a proposta de criação de um Conselho Sul-americano de Defesa, que terá a missão de elaborar estratégias comuns na área militar e integrar as indústrias bélicas da região.

A proposta já foi apresentada informalmente pelo ministro da Defesa Nelson Jobim, que disse que nas visitas realizadas a cada um dos países sul-americanos só encontrou reservas da Colômbia. EFE ed/wr/gs

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