O Ministério das Relações Exteriores do Brasil divulgou nesta quarta-feira uma nota onde afirma que o governo brasileiro está preocupado com as notícias de que movimentos sociais do Paraguai ameaçaram desencadear ações violentas contra a comunidade brasileira no país caso um programa de reforma agrária não tenha início imediato. A existência de ameaças e manifestações de animosidade contra comunidades brasileiras têm sido objeto de manifestações de apreensão por parte das autoridades brasileiras.

O assunto foi mencionado pelo presidente Lula durante a visita do presidente (Fernando) Lugo a Brasília no dia 17 de setembro passado", diz o comunicado.

Na última terça-feira, camponeses sem-terra paraguaios deram um prazo de 72 horas para que o governo ordene a expulsão de fazendeiros brasileiros que ocupam terras destinadas à reforma agrária.

A situação de tensão entre fazendeiros brasileiros, os chamados "brasiguaios", e sem-terra paraguaios fez com que muitos deles pedissem proteção às representações do Brasil no país, alegando que suas terras estão ameaçadas de invasão.

No comunicado, o Itamaraty afirma que as autoridades brasileiras têm confiança de que o governo do Paraguai conduzirá a situação "da melhor forma" e diz que o governo do Brasil ficou satisfeito com as manifestações do presidente Fernando Lugo de que garantirá as "necessárias condições de segurança" aos brasileiros.

"O governo brasileiro reitera sua melhor disposição de cooperar com o governo paraguaio em programas sociais que contribuam, inclusive, para melhorar a situação no campo", diz a nota.

Cerca de 300 mil "brasiguaios" vivem hoje na fronteira comum entre os dois países, 80% deles dedicados à lavoura da soja.

A reforma agrária é uma das principais promessas do presidente paraguaio Fernando Lugo, eleito em abril deste ano e que encerrou uma hegemonia de 61 anos de poder do Partido Colorado no país.

Ex-bispo católico, Lugo teve uma carreira ligada aos movimentos sociais e também prometeu renegociar o tratado da Hidrelétrica Binacional de Itaipu para conseguir um preço "justo" para a energia excedente que o Paraguai vende ao Brasil.

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