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Ameaças contra embaixada são inaceitáveis , diz chefe da ONU

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, afirmou nesta terça-feira que está preocupado com a crise política em Honduras e declarou que ameaças contra a embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde o presidente deposto do país, Manuel Zelaya, está abrigado desde 21 de setembro, são inaceitáveis. As declarações foram feitas em uma coletiva durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, um dia depois de o governo brasileiro ter enviado uma carta à ONU onde expressa preocupação com possíveis agressões contra a representação diplomática.

BBC Brasil |

"Ameaças contra a embaixada do Brasil em Honduras são inaceitáveis. A legislação internacional é clara: a imunidade não pode ser violada. Ameaças aos funcionários da embaixada e a suas dependências são intoleráveis", disse Ban.

"O Conselho de Segurança da ONU já condenou estes atos de intimidação. Eu também o faço em termos duros", disse.

ONU "de prontidão"
O secretário-geral da ONU também afirmou que o estado de sítio de 45 dias decretado no último domingo pelo presidente interino do país, Roberto Micheletti, "aumentou as tensões". Ban também ressaltou que o Congresso hondurenho rejeitou a suspensão dos direitos civis.

Ele pediu que a segurança do presidente deposto, Manuel Zelaya, seja garantida e solicitou que todos os atores políticos se comprometam com o diálogo.

"Eu reafirmo que as Nações Unidas estão de prontidão para ajudar em todos os sentidos".

Na próxima quarta-feira, uma comissão formada por deputados brasileiros parte para Tegucigalpa para verificar as condições da embaixada e da comunidade brasileira em Honduras, informou a Agência Câmara.

De acordo com o coordenador da comissão, deputado Raul Jungmann, os parlamentares não devem se reunir com representantes do governo interino hondurenho.

Segurança
Em um comunicado divulgado na noite da segunda-feira, o governo interino de Honduras afirmou que "continuará oferecendo proteção à representação do Brasil" em Tegucigalpa, "cumpra o governo brasileiro ou não sua obrigação de definir o status do senhor Zelaya em sua embaixada".

No último domingo, o governo interino de Honduras deu um prazo de dez dias para que o Brasil defina qual é o status político de Zelaya, caso contrário, ameaçou não reconhecer mais a embaixada como uma instituição diplomática.

O mesmo comunicado, assinado pelo ministro das Relações Exteriores do governo interino, Carlos López Contreras, afirma que a situação jurídica de Zelaya é "insólita".

O documento acusa o governo brasileiro de usar a instituição do asilo político para, "a partir do exterior, introduzir em seus escritórios em Tegucigalpa um político que tem ordem de captura em Honduras".

"Este ato gera responsabilidade internacional e responsabilidade perante o povo hondurenho por danos materiais e de outra natureza, por ter transformado seu escritório em Tegucigalpa em um centro de propaganda política e de chamados para insurreição por parte do senhor Zelaya".

OEA
Também na segunda-feira, o governo interino de Honduras voltou atrás em sua decisão de barrar uma comissão de membros da Organização dos Estados Americanos que tentou entrar no país no último domingo e autorizou que um grupo de funcionários do órgão desembarque no país na próxima sexta-feira.

A decisão foi anunciada pela Secretaria de Relações Exteriores de Honduras mesmo dia em que o presidente interino do país, Roberto Micheletti, afirmou que está disposto a rever o estado de sítio de 45 dias que foi declarado por seu governo no último domingo.

De acordo com um comunicado da chancelaria hondurenha, uma comissão preparatória da OEA estaria autorizada a visitar o país centro-americano a partir de 2 de outubro.

Depois desta visita preparatória, o governo interino de Honduras faz o convite para que uma missão formada por chanceleres dos países da OEA visite o país para negociar uma solução para a crise no próximo dia 7 de outubro.

O governo interino de Honduras ainda afirma por meio do comunicado que "lamenta as distorções feitas após a não permissão do ingresso dos funcionários da OEA no domingo" e declara que a Secretaria de Relações Exteriores havia solicitado anteriormente que eles não viajassem ao país.

"A chancelaria pediu que eles se abstivessem de viajar a Honduras já que estavam em curso negociações com atores políticos, empresariais e religiosos locais em busca de acordos que superem as diferenças".

A crise no país centro americano dividiu o Conselho Permanente da OEA, que realizou uma sessão especial na noite de segunda-feira para discutir a situação.

Após várias horas de discussões, o conselho não conseguiu chegar a um acordo sobre se deve ou não reconhecer o resultado das eleições marcadas pelo governo interino para novembro.

Pelo telefone
Também na noite de segunda-feira, Zelaya fez um pronunciamento à Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, por meio de um telefone celular.

A chanceler do governo deposto, Patrícia Rodas, subiu à tribuna da Assembleia e posicionou um celular próximo ao microfone, por meio do qual Zelaya falou desde a embaixada brasileira em Tegucigalpa.

"Aqueles que tinham alguma dúvida de que aqui (Honduras) se instalou uma ditadura, agora, com tudo que se passou em 93 dias de repressão, devem ter tirado essas dúvidas", disse Zelaya, citando o fechamento das duas emissoras.

Zelaya ainda pediu que as Nações Unidas "ajudem a recuperar o Estado de Direito e a liberdade dos hondurenhos".

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