Ameaçado, criador de WikiLeaks usa novos documentos como trunfo

Em sessão online de perguntas, Assange diz que telegramas mais importantes serão divulgados se algo acontecer com equipe de site

Reuters |

O fundador do site WikiLeaks realizou uma sessão online de perguntas e respostas nesta sexta-feira, depois de constranger o governo americano nos últimos dias publicando informações confidenciais das embaixadas.

O australiano Julian Assange, de 39 anos, também pode ser preso sob um mandado de prisão sueco por supostos crimes sexuais . Assange respondeu a perguntas dos leitores do jornal britânico The Guardian em seu site. O Guardian é um dos jornais que têm acesso antecipado ao material obtido pelo WikiLeaks. Veja a seguir os trechos mais importantes:

AP
Julian Assange, criador do WikiLeaks, em foto de 4 de novembro
Sobre a distribuição de material:

"O arquivo Cable Gate (os telegramas diplomáticos americanos) foi difundido, juntamente com informações importantes dos EUA e de outros países, para mais de 100 mil pessoas em formato criptografado. Se alguma coisa acontecer conosco, as partes mais importantes serão divulgadas automaticamente. Além do mais, os arquivos Cable Gate estão nas mãos de diversas organizações de notícias. A história vencerá. O mundo será elevado para um lugar melhor. Vamos sobreviver? Isso depende de vocês."

Sobre a imagem pública do WikiLeaks:

"Tentei muito, originalmente, fazer com que a organização não tivesse uma imagem, porque queria que os egos não fizessem parte de nossas atividades. Isso seguiu a tradição dos puros matemáticos anônimos franceses, que escreveram sob o alônimo coletivo 'Os Bourbaki'. No entanto, isso logo causou uma curiosidade tremenda, uma distração, sobre quem seríamos, e indivíduos aleatórios alegando nos representar. No final, alguém precisa ser responsável perante o público e apenas uma liderança que está disposta a ser corajosa publicamente pode sugerir sinceramente que fontes assumam riscos para um bem maior. Nesse processo, tornei-me o para-raios. Recebo ataques indevidos em todos os aspectos da minha vida, mas também recebo muito crédito indevido como um tipo de força de equilíbrio."

Sobre alegações de que ele deve ser assassinado:

"Está correto que... (aqueles) que estão seriamente fazendo essas declarações deveriam ser acusados de incitação a assassinato."

Sobre o acordo comercial antipirataria (Acta):

"Temos informações sobre o Acordo Comercial Antipirataria (Acta, na sigla em inglês), um acordo de cavalo troiano criado desde o começo para satisfazer os grandes protagonistas das indústrias dos direitos autorais e das patentes nos EUA. Na verdade, foi o WikiLeaks que atraiu a atenção do público para o Acta - com um vazamento."

Sobre problemas no servidor:

"Desde 2007 colocamos nossos servidores em jurisdições que suspeitávamos sofriam de um déficit na liberdade de expressão, para separar a retórica da realidade. A Amazon foi um desses casos."

Sobre ameaças de morte:

"As ameaças contra nossas vidas são uma questão de registro público, no entanto, estamos tomando as precauções adequadas à medida do possível ao lidar com uma grande potência."

Sobre a possibilidade de restaurar documentos pré-vazamento:

"Desde abril deste ano nossa cronograma não tem sido o nosso próprio, mas tem se pautado pelos elementos abusivos do governo dos Estados Unidos contra nós."

Sobre Ovnis:

"Vale notar que partes de um arquivo confidencial ainda a ser publicado contém, de fato, referências a Ovnis."

    Leia tudo sobre: euawikileaksdocumentos diplomáticosjulian assange

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG