A reação internacional à ameaça representada pelo aquecimento global para a segurança mundial é lenta e insuficiente, afirma uma equipe de trabalho britânica, em um relatório a ser divulgado nesta quarta-feira.

"Nas próximas décadas, o aquecimento global vai acarretar uma modificação no tema da segurança estratégica, tão importante como o fim da Guerra Fria", destaca Nick Mabey, autor do documento "As respostas da segurança internacional a um mundo exposto ao aquecimento global", do Royal United Services Institute (Rusi).

"Se não for controlado, o aquecimento global terá implicações na segurança de uma amplitude similar à de dois conflitos mundiais, mas durará séculos", acrescenta.

"Se o aquecimento global não se desacelerar (...) esse será o primeiro fator de conflito dentro dos Estados", adverte o instituto.

O setor da segurança "deve, como conseqüência, tomar iniciativas para apoiar os esforços, visando a uma redução importante das emissões de dióxido de carbono como um meio de evitar o pior cenário no tema da segurança", completa o relatório.

Não reconhecer os riscos do aquecimento global à segurança é tão perigoso quanto ignorar o risco do terrorismo, ou da proliferação de armas nucleares, afirma Rusi.

O grupo aponta ainda que as preocupações ligadas ao clima vão trazer "mudanças fundamentais" no panorama geopolítico, modificarão a gestão das relações internacionais e forçarão uma reconsideração dos interesses nacionais.

"As conseqüências climáticas obrigarão a repensar radicalmente a maneira como identificamos e asseguramos nossos interesses nacionais", comenta Mabey, acrescentando que a energia e a segurança "dependerão, cada vez mais, de alianças fortes com outros grandes consumidores de energia, como a China".

"Os primeiros sinais dessa resposta estão aparecendo, mas as mudanças necessárias devem ser feitas mais rapidamente do que no passado", alerta.

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