Ambiente de reconciliação mas sem consenso na Cúpula das Américas

Os 34 líderes das Américas reunidos em Trinidad e Tobago encerram neste domingo a quinta reunião continental dispostos a abrir um novo capítulo em suas relações, mas o embargo dos Estados Unidos contra Cuba ainda ameaça a declaração final do encontro.

AFP |

Os biocombustíves e o papel da Organização dos Estados Americanos (OEA) no continente também bloqueiam a assinatura da declaração de compromisso da Cúpula das Américas, a primeira reunião do presidente americano Barack Obama com os colegas da América Latina e Caribe.

Os países da Alternativa Bolivariana das Américas (Alba), entre eles Bolívia e Venezuela, afirmaram que não pretendem assinar a declaração final se o projeto não for alterado, entre outras coisas em solidaridade a Cuba, excluída da OEA e submetida a um embargo americano desde 1962.

Esta seria a primeira vez na história destas reuniões, iniciadas em 1994 em Miami, que um grupo de países vetaria em bloco uma declaração final. Neste caso, as possibilidades seriam a assinatura pelos demais países ou a não apresentação de um texto final.

A questão do embargo a Cuba, que não está presente na declaração final, é uma das polêmicas que pode bloquear o documento.

"Nosso esforço integrador das Américas estará sempre incompleto se persistir em nossas reuniões a anômala exclusão de um dos países do continente, que é Cuba", afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no plenário da reunião em Port of Spain.

O Brasil, de qualquer modo, está disposto a assinar a declaração final.

Segundo o presidente brasileiro, o restabelecimento das relações com Cuba será "o sinal importante" que marcará o tom das relações futuras entre os países da América Latina e dos Estados Unidos.

Lula reiterou que os últimos sinais de boa vontade demonstrados pelo presidente americano Barak Obama em relação a Cuba "estão na boa direção, mas são apenas o começo ".

Obama anunciou em Trinidad que seu governo está pronto para um novo começo com Cuba e para estabelecer um diálogo amplo com as autoridades da ilha comunista, depois de 47 anos de embargo. Poucos dias antes, a Casa Branca eliminou as restrições às viagens dos cubano-americanos e o envio de remessas ao país.

Mas a Casa Branca reiterou no sábado que agora os anúncios devem partir de Cuba e que Obama espera medidas de reciprocidade, sobretudo em termos de direitos humanos e de libertação de presos políticos.

Apesar das divergências sobre a declaração final, o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, qualificou no sábado de "útil e positiva" a V Cúpula das Américas.

No sábado, os 34 líderes participaram em três sessões plenárias centradas na prosperidade, energia e governabilidade democrática.

Além disso, Obama e os presidentes sul-americanos se reuniram e demonstraram a intenção de retomar um diálogo direto, com respeito mútuo.

O presidente Lula destacou no sábado também crescimento coletivo da América Latina e defendeu que o crescimento deve vir acompanhado com uma melhor distribuição de renda.

Além disso, fez uma defesa dos biocombustíveis afirmando que a sociedade necessita de combustíveis limpos e baratos.

"A produção de etanol com base na base de cana-de-açúcar, respeitando-se a realidade de cada país, aumenta a segurança energética e alimentar e gera divisas. Os biocombustíveis são uma arma eficiente na luta contra o aquecimento global", concluiu o presidente.

Lula também se mostrou disposto a intermediar entre Estados Unidos, Venezuela e Bolívia para que restabeleçam suas relações, conforme indicou o chanceler Celso Amorim.

O presidente Lula recomendou ainda a Obama que prepare uma visita da secretária de Estado americana Hillary Clinton a Venezuela e Bolívia.

Mas talvez a ajuda não seja necessária, já que a reunião também foi marcada pela cordialidade entre Obama e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que depois de um aperto de mãos na sexta-feira presenteou o americano, no sábado, com o livro "As veias abertas da América Latina", do uruguaio Eduardo Galeano.

Segundo a imprensa americana, o ensaio - de 1971 e com um forte denúuncia do "imperialismo" americano na região - registrou boas vendas no sábado nas livrarias virtuais.

O primeiro passo para o que pode ser o restabelecimento das relações entre Estados Unidos e Venezuela será a nomeação de um novo embaixador americano em Caracas e de umo venezuelano em Washington. Este último posto está vago desde setembro.

bl/fp

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