Amazônia Legal perdeu 11.968 quilômetros quadrados, diz Inpe

(atualiza com declarações de ministro e reações) Rio de Janeiro, 28 nov (EFE) - A Amazônia Legal perdeu entre agosto de 2007 e julho de 2008 cerca de 11.968 quilômetros quadrados, indicam informações oficiais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgadas hoje.

EFE |

A área de floresta devastada e transformada em pasto aumentou 3,8% em relação ao ano anterior.

A Amazônia Legal já tinha perdido outros 11.224 quilômetros quadrados de floresta primária entre agosto de 2006 e julho de 2007 e os ecologistas temiam um aumento significativo nesta última medição.

Entretanto, o desmatamento no período terminou sendo inferior ao que se temia no início deste ano, quando o próprio Ministério do Meio Ambiente alertou que o aumento da poda poderia devastar 15.000 quilômetros quadrados, 33,6% a mais em comparação ao ano anterior.

A devastação desta região é calculada pelo Inpe por meio da análise de imagens de satélite por um sistema chamado Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (Prodes), que segundo o instituto tem uma margem de erro de 5%.

Apesar do pequeno aumento da área devastada, o diretor do Inpe, Gilberto Câmara, afirmou em entrevista coletiva que o desmatamento permaneceu estável e que, "estatisticamente, estamos no mesmo nível do que o existente em 2007".

Por sua parte, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse em entrevista coletiva que "todas as previsões indicavam que o resultado explodiria e a tendência de queda verificada desde 2004 se inverteria".

"Esperávamos que o número ficasse em entre 14 mil e 15 mil quilômetros quadrados", disse Minc.

Ele atribuiu a "estabilidade" no índice às ações do Governo e a uma medida imposta pelo Banco Central (BC) para restringir o acesso a créditos aos responsáveis do desmatamento, e ao embargo de propriedades amazônicas com problemas ambientais.

Os dados oficiais indicam que os 36 municípios que mais contribuíam para a destruição da Amazônia em 2007, quando desmataram 4.897 quilômetros quadrados, reduziram o ritmo.

Na última medição, essas cidades responderam por 54%, enquanto neste ano o número caiu para 42%, destacou o ministro.

Enquanto isso, o grupo ambientalista internacional Greenpeace afirmou que, após três anos seguidos de queda, agora a taxa está aumentando, e comparou o novo número com os 11.532 quilômetros quadrados destruídos na medição anterior.

"As más notícias em relação à destruição da floresta só vão terminar quando o governo Lula assumir o compromisso de zerar o desmatamento até 2015 e adotar políticas públicas consistentes para isso", destacou o Greenpeace.

O temor de que a área devastada se expandisse ainda mais obedecia ao fato de os índices de incêndios florestais na Amazônia, também medidos pelo Inpe, já terem aumentado com força.

Em alguns momentos deste ano foi registrado um aumento de 50% no número de focos de incêndio na Amazônia detectados pelos satélites.

"Havia uma tendência de recrudescimento do desmatamento que finalmente não ocorreu graças a uma combinação de medidas coercitivas do Governo e pressões do mercado", concluiu Câmara. EFE cm/db

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