Alvo sírio atacado por Israel parece planta nuclear, diz ONU

VIENA - Um complexo sírio bombardeado por Israel apresenta características semelhantes às de um reator nuclear clandestino, e a Síria deve cooperar mais com os inspetores da ONU que analisam o local, informou um relatório da agência nuclear da ONU nesta quarta-feira.

Reuters |

O documento da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) revela que foram encontradas quantidades "significativas" de partículas de urânio no local visitado por inspetores em junho. Entretanto, não há provas suficientes sobre a existência de um reator e são necessárias mais investigações.

O relatório confidencial, obtido pela Reuters, diz que o organismo pedirá à Síria para apresentar escombros e equipamentos retirados do local depois do ataque aéreo de Israel, realizado em setembro de 2007. O governo dos Estados Unidos informou que o alvo era um reator nuclear destinado a produzir plutônio para bombas atômicas. A Síria negou as acusações.

A Síria diz que o alvo de Israel era um prédio militar desativado e que os traços de urânio certamente vieram das bombas usadas para atacá-lo. Damasco também afirma que as imagens de satélite e outros documentos de inteligência são fabricados.

"Embora não possa ser excluída a possibilidade do prédio em questão ter uso não-nuclear, as características do edifício -- além do local ser próprio para o resfriamento de água -- são similares àquelas encontradas em um local de reator", disse o relatório da AIEA, enviado para o conselho de 35 nações que administram o órgão e se reunirão nos dias 27 e 28 de novembro.

O relatório ressaltou que a Síria não apresentou os documentos exigidos para apoiar suas declarações sobre a função do prédio, tampouco concordou em receber visitas da AIEA em três outros locais que poderiam conter provas ligadas ao alvo de Israel.

"A agência... pretende pedir permissão à Síria para visitar os locais onde os escombros do prédio e qualquer equipamento retirado dele estejam, para que possa recolher amostras e testá-las", disse o relatório.

Segundo o documento, o diretor da AIEA, Mohamed ElBaradei, apelou à Síria para que o país forneça "a transparência necessária, incluindo a permissão de visitas aos locais requisitados e acesso a toda informação disponível para que a agência complete seus trabalhos".

O órgão vai pedir a Israel que forneça informações para confirmar ou desmentir os comentários sírios sobre a origem do urânio processado.

O relatório também afirmou que a investigação foi atrapalhada pelo "uso da força unilateral de Israel" e porque os Estados Unidos só entregaram documentos de inteligência importantes sete meses depois do bombardeio -- após a Síria já ter recolhido os escombros, limpado a área e construído um novo prédio no local.

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