Alvaro Uribe, um presidente religioso e autoritário

O presidente colombiano Alvaro Uribe, fiel membro da rígida organização católica Opus Dei que ostenta publicamente uma fé quase mística, comandou com mão-de-ferro uma estratégia implacável para fragilizar as guerrilhas de esquerda.

AFP |

Advogado e proprietário de terras, Alvaro Uribe, que fará 56 anos amanhã (sexta-feira), festejava nesta quinta-feira a libertação de 15 reféns das Farc, entre eles a franco-colombiana Ingrid Betancourt e três americanos, obtida graças a uma operação executada com perfeição pelo Exército colombiano.

"Persistir, insistir e nunca desistir" é o lema de Uribe, como ele mesmo lembrou quarta-feira à noite durante um discurso no palácio presidencial em homenagem aos ex-reféns que acabavam de ser libertados.

Pouco antes, ele tinha se reunido com os bispos da hierarquia católica do país, os primeiros com quem quis comemorar a libertação.

"Esta operação que transcorreu sob os poderes do Espírito Santo, do Senhor e da Virgem Maria foi uma operação de inteligência comparável às mais importantes epopéias épicas da história da humanidade, declarou Uribe aos prelados.

Seu estilo coloquial e direto e sua enorme capacidade de trabalho - ele acorda antes das 05H00 e vai dormir depois da meia-noite - lhe rendem um amplo apoio popular.

Uribe não duvida em pregar publicamente a abstinência sexual, sua oposição à legalização do aborto e à descriminalização do consumo de drogas.

Sobre esses temas sociais, ele tem opiniões muito mais radicais que sua mulher, a filósofa Lina Moreno, com quem teve dois filhos.

O dirigente colombiano é um verdadeiro asceta, que se veste de forma simples. Considerado populista por seus detratores, ele tem uma fama de autoritário, confirmada pela forma como se dirige rispidamente aos militares diariamente para exigir resultados concretos em sua cruzada contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). As cabeças de cerca de 30 generais caíram desde que Uribe assumiu o controle do país.

Aliado incondicional dos Estados Unidos - que financiaram sua estratégia com mais de quatro bilhões de dólares - ele prometeu a derrota da guerrilha, a quem acusa de ter assassinado seu pai em junho de 1983 e de ter tentado matá-lo várias vezes.

No entanto, Uribe nega categoricamente que seu combate contra a guerrilha tenha motivos pessoais.

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