Álvaro Uribe reitera disposição para novo acordo militar com os EUA

BOGOTÁ - O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, reiterou nesta quinta-feira a disposição de seu governo para receber o contingente militar norte-americano que deixará de operar na base equatoriana de Manta, a ser desativada em setembro.

Agência Ansa |


"Ter acordos com nações como os Estados Unidos é de grande interesse para nós", disse ele. Segundo o mandatário, o objetivo é garantir que, "com total respeito à Constituição e à autonomia da Colômbia", Washington possa "ajudar o país na batalha contra o terrorismo e o narcotráfico".

Na quarta-feira, durante uma audiência pública em Bogotá, os ministros da Defesa, Freddy Padilla de León, das Relações Exteriores, Jaime Bermúdez, e do Interior e Justiça, Fabio Valencia, informaram que um novo acordo bilateral possibilitará a cessão de três bases da Força Aérea nacional para atividades de oficiais norte-americanos.

Recentemente, a imprensa colombiana ventilou a hipótese de que o país poderia ser a nova sede das operações antidrogas dos Estados Unidos na região, o que antes ocorria na base de Manta, oeste do Equador.

Segundo Padilla de León, o acordo contempla as bases situadas em Palanquero, centro do país, Alberto Pouwels de Malambo, no norte, e Apiay, também no centro.

"Não estamos entregando a soberania nem colocando em julgamento nossa autonomia. Este é um acordo de longa data e restrito à colaboração técnica", afirmou o ministro do Interior e Justiça.

Desta forma, Valencia respondeu às críticas de políticos opositores para os quais o acordo desrespeita a soberania colombiana.

Um exemplo é o senador Jorge Enrique Robledo, do esquerdista Polo Democrático Alternativo, para quem o convênio viola a autodeterminação nacional e converte os colombianos em peões da estratégia militar da Casa Branca para controlar o mundo", além de comprometer a relação do país com seus vizinhos sul-americanos.

Neste sentido, o chanceler Bermúdez enfatizou que o acordo se restringe ao território colombiano, mas gerará benefícios para toda a região. "Alguns países e pessoas que se queixam de serem afetados pelo que chamam de conflito na Colômbia se verão diretamente beneficiados", disse ele.

O tratado tem vigência de dez anos, com possibilidade de ser estendido, e inclui a permanência de 800 militares e 600 empreiteiros norte-americanos na Colômbia, onde terão funções técnicas e de treinamento. "Não são tropas de combate", insistiu Valencia.

No início da semana, o Equador anunciou que os Estados Unidos encerrarão as atividades em Manta nesta sexta-feira, para que as instalações sejam devolvidas ao país em setembro.

A base é usada por Washington para operações de combate ao narcotráfico desde 1999, mediante um acordo assinado entre os dois governos no ano anterior. O convênio expirará em novembro e não será renovado pelo atual presidente do Equador, Rafael Correa.

Já Bogotá mantém com os Estados Unidos uma ampla cooperação militar, que inclui o envio, por parte de Washington, de US$ 600 milhões anuais para fomentar o Plano Colômbia, destinado a combater o tráfico de drogas e grupos armados que operam no país sul-americano.

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