Álvaro Uribe ainda busca um acordo com as Farc, mas insiste em ação militar

Bogotá, 15 mai (EFE).- O presidente colombiano, Álvaro Uribe, renovou hoje em Bogotá a opção de busca de um acordo humanitário com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para os seqüestrados, mas ao mesmo tempo insistiu em sua alternativa de localização e de cercar militarmente os cativeiros.

EFE |

O governante falou novamente desta dupla via um dia depois de a Casa de Nariño (sede do Executivo) ter informado em comunicado público um "reajuste" e um "aumento" nas ações de localização humanitária dos reféns, alguns dos quais estão em poder da guerrilha há mais de dez anos.

"Nós continuaremos, por meio de nossos negociadores, buscando o acordo", disse Uribe em entrevista coletiva ao lado do primeiro-ministro tcheco, Miroslav Topolánek, que foi a Bogotá para uma breve visita oficial antes da 5ª Cúpula América Latina-Caribe-União Européia (EU-LAC, na sigla em inglês), a ser realizada em Lima, no Peru, amanhã.

São 40 os seqüestrados que as Farc pretendem trocar por 500 insurgentes presos, incluindo três extraditados para os Estados Unidos.

Entre o grupo de reféns está a ex-candidata presidencial franco-colombiana Ingrid Betancourt, em mãos dos rebeldes desde fevereiro de 2002 e cujo estado de saúde é motivo de forte preocupação desde janeiro passado.

Também fazem parte dos seqüestrados vários políticos, policiais e militares, assim como três americanos.

Os temores sobre a saúde de Betancourt surgiram após a libertação de Clara Rojas - que foi sua companheira de chapa nas eleições de 2002 - e do ex-senador Luis Eladio Pérez, entregues de maneira unilateral pelas Farc em 10 de janeiro e 27 de fevereiro, respectivamente, junto com outros quatro ex-congressistas.

Os seis foram libertados perante representantes do presidente venezuelano, Hugo Chávez, que até novembro atuou como mediador na busca do acordo humanitário, tarefa assumida três meses antes, com a congressista opositora colombiana Piedad Córdoba como negociadora.

Os dois agiram com autorização de Uribe, que depois os desautorizou desta tarefa pelos contatos que faziam com um alto comando militar colombiano.

A exigência rebelde, não aceita pelo Governo, de um território desmilitarizado no sudoeste da Colômbia impediu que as partes assumissem a negociação deste acordo.

Diante da postura intransigente dos guerrilheiros, que acusam Uribe por ter uma atitude similar, o governante propôs a alternativa da "localização humanitária", ou seja, de um cerco militar sobre os lugares nos quais os rebeldes mantêm seqüestrados.

Uribe ratificou que, em seu Governo, continuará, através das Forças Armadas, buscando a localização humanitária dos seqüestrados.

Essa é uma via que foi rejeitada de maneira particular pelos familiares dos reféns, que sempre lembram que os guerrilheiros dão ordem de assassinato dos seqüestrados em caso de operações de resgate.

O presidente admitiu que também confia que, após os problemas causados pelas Farc nas relações de Bogotá com países como Equador e Venezuela, os rebeldes corrigirão seus erros e, por razões políticas, reduzirão as dificuldades que geraram.

Os guerrilheiros podem fazê-lo com a libertação o mais rápido possível de Betancourt e dos demais seqüestrados, disse Uribe, que espera o anúncio das Farc antes do início da Cúpula América Latina-UE.

A liberação, no entanto, é algo pouco provável para quem se atem aos mais recentes comunicados dos rebeldes, que descartaram completamente a possibilidade de mais libertações unilaterais de reféns. EFE jgh/rb/fb

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