Alta participação e traquilidade marcam pleito regional no Iraque

Amre Hamid. Bagdá, 31 jan (EFE).- Os iraquianos foram às urnas hoje em 14 das 18 províncias do país para renovar as assembléias legislativas regionais, num pleito marcado tanto pela alta participação dos eleitores como pela ausência de maiores incidentes.

EFE |

"Em termos percentuais, a participação nas eleições para as assembléias provinciais foi elevada e satisfatória", disse à Agência Efe Sardar Abdelkarim, membro da Comissão Suprema Eleitoral Independente (CSEI) do Iraque, o órgão oficialmente encarregado de supervisionar a votação.

Abdelkarim ressaltou ainda que, segundo informações das sedes regionais da CSEI, a participação no pleito foi muito maior que a registrada em 2005, quando a maioria dos partidos políticos sunitas boicotou as eleições provinciais.

Para o funcionário do CSEI, este aumento foi possível graças à estabilidade e à segurança atuais, consolidadas após uma queda de 80% nos índices de violência.

Em sua primeira aparição pública após o fechamento dos colégios eleitorais, o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, atribuiu o "grande êxito" da jornada a "todos os iraquianos". Além disso, se referiu ao dia de votação como um marco no caminho à democracia e à alternância no poder.

A calma com a qual amanheceu a capital iraquiana, onde o tráfico de veículos foi interrompido, encorajou a população a ir às urnas e levou as autoridades a liberar a circulação de carros para facilitar a locomoção dos eleitores.

Ali al-Izaui, que perdeu uma perna em um atentado com carro-bomba há mais de 12 meses, disse à Efe que espera dos políticos eleitos mudanças na situação do país.

"Fui votar muito cedo para estar entre os primeiros a contribuir para uma mudança e eleger pessoas que possam servir à população", declarou.

Por outro lado, Abdel Razaq al-Falahi, revistado duas vezes antes de poder votar, destacou as medidas de segurança tomadas nos centros de votação.

"Não posso esconder a felicidade que sinto por poder participar deste pleito, já que ele representa uma oportunidade para nos livrarmos dos corruptos e dos ladrões que ficaram ricos às custas da pátria e do povo", disse Falahi.

No entanto, não faltaram reclamações de eleitores que não conseguiram votar porque seus nomes não estavam nas listas eleitorais.

Mustafa al-Aani, que vive em Bagdá, contou que, depois de procurar seu nome e o de sua família em três centros eleitorais, foi informado de que deveria votar em um bairro do leste da capital, motivo pelo qual ele e os parentes desistiram de exercer seu direito ao voto.

O ministro de Interior iraquiano, Jawad al-Bolani, disse, pouco antes do fechamento dos centros de votação, que a jornada eleitoral havia se caracterizado pela ausência de graves incidentes.

Para muitas pessoas, as eleições de hoje ajudarão a redefinir o mapa do país. Também são muitos os que acham que o pleito servirá de teste para vários partidos políticos no poder e promoverá o surgimento de novas legendas, sobretudo sunitas, laicas e nacionalistas.

No sul do país, de maioria xiita, os principais partidos que disputaram o voto dos eleitores foram o Dawa, a plataforma de Maliki, e Assembleia Suprema da Revolução Islâmica (ASRI), da qual faz parte Abdel Aziz al-Hakim, membro do Conselho de Governo iraquiano.

Ambos concorrem com os seguidores do clérigo radical xiita Muqtada Sadr e com o partido Fadila, que já integrou a coalizaão governista.

Nas províncias centrais, onde os árabes sunitas são maioria, a expectativa é que os estes últimos reapareçam com força nas regiões em que não tenham representação política, como em Mossul, controlada pelos curdos.

Por outro lado, também é esperado que os partidos sunitas tradicionais, como o Partido islâmico Iraquiano - que chegou a participar das eleições de 2005 -, percam espaço para os chefes tribais dos Conselhos de Salvação, que ganharam muito prestígio por enfrentarem terroristas da Al Qaeda.

Segundo fontes do CSEI, as urnas, devidamente lacradas, serão agora transportadas para a sede regional do órgão em cada província e, de lá, para Bagdá, onde será feita a apuração, cujos primeiros resultados só devem ser divulgados na quarta-feira. EFE ah/sc

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