Alta participação e pouca violência marcam eleições afegãs

Diego A. Agúndez.

EFE |

Cabul, 20 ago (EFE).- Milhões de afegãos foram às urnas hoje escolher o novo presidente do país, onde, ao longo do dia, cerca de 50 pessoas morreram em ataques dos rebeldes talibãs, que foram muito menos violentos que o esperado.

Para que mais pessoas pudessem exercer seu direito ao voto, os colégios eleitorais fecharam uma hora depois do previsto, às 8h30 de Brasília. Ao fim da jornada, a Comissão Eleitoral comemorou o fato de 6.199 seções - 95% do total - terem aberto suas portas.

"As eleições transcorreram de forma pacífica. Parabenizo nosso povo por sua coragem e por seu desejo de que nosso país tenha sucesso", disse em entrevista coletiva o presidente Hamid Karzai, candidato à reeleição.

Segundo as autoridades, além de terem ferido 52 pessoas, os 130 ataques cometidos durante a votação, quatro deles suicidas e vários com uso de mísseis, mataram 17 membros da Polícia e do Exército, além de nove civis.

Em Baghlan, no norte do Afeganistão, um tiroteio matou 21 talibãs e cerca de outros 20. De acordo com a Polícia, em virtude do confronto com as forças de segurança, o horário da votação na região foi ampliado em uma hora.

Já no leste do país, um ataque de morteiro matou um soldado americano da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf), liderada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

No entanto, apesar dos episódios de violência registrados em quase todo o país, a missão da ONU no Afeganistão (Unama) destacou que as tentativas dos talibãs de desestabilizar as eleições e intimidar os eleitores foram "menores do que o esperado".

"Somos cautelosamente otimistas, porque sabemos que milhões de pessoas desafiaram o perigo. Achamos que as previsões de uma maciça situação de insegurança falharam", disse à Agência Efe o porta-voz da Unama, Aleem Siddique.

Para facilitar a votação, as autoridades decretaram feriado em todo país. Pelo menos na capital, o dia começou com a grande maioria dos estabelecimentos comerciais fechada e sem pedestres ou carros nas ruas.

As operações de segurança também foram intensificadas e a Polícia, com cães treinados para farejar explosivos, parava e revistava os poucos veículos em circulação.

O atual presidente do país foi votar bem cedo, numa escola do centro de Cabul fortemente protegida. No local, ele pediu que a população votasse na estabilidade, na paz e "na construção de um país melhor".

"Não à violência! Votem contra a violência!", disse Karzai ao deixar ao colégio, que já recebia os primeiros eleitores.

Segundo a Unama, a votação transcorreu melhor do que o esperado na região norte, onde a participação feminina foi significativa. Por outro lado, no sul, tradicional reduto dos talibãs e onde os confrontos e a intimidação são mais comuns, a presença nas urnas foi menor.

A Comissão Eleitoral já iniciou a apuração dos votos, mas ainda não divulgou a taxa de participação no pleito, que, segundo o ministro do Interior, Mohammed Hanif Atmar, foi de 70%, apesar do boicote e das ameaças dos insurgentes.

Aproximadamente 17 milhões de pessoas foram convocados às urnas para eleger o novo chefe de Estado afegão. A eleição presidencial foi a segunda realizada no país desde a queda do regime talibã, em 2001.

Nos últimos dias, em virtude do favoritismo de Karzai na disputa, vários dos oponentes do presidente denunciaram que o Governo comprou votos e fraudou títulos de eleitores para garantir uma vitória já no primeiro turno.

"Fraudes foram detectadas", confirmou Siddique. "Mas nada sugere que tenham sido sistemáticas. Onde ocorreram, foram tomadas medidas.

Portanto, elas não vulneram a integridade do processo".

As dúvidas levantadas sobre a transparência da votação foram fundamentadas na falta de um censo eleitoral, na elevada taxa de analfabetismo e nas dificuldades logísticas decorrentes tanto do acidentado relevo como do conflito com os talibãs.

"É muito cedo para julgar isso. Com todas as suas limitações, o país demonstrou ao mundo que consegue realizar uma eleição. É um bom dia para o Afeganistão", concluiu o porta-voz da ONU.

Karzai, que precisa de mais de 50% dos votos para ser reeleito no primeiro turno, tinha uma confortável vantagem sobre seus principais adversários no pleito, o ex-ministro de Assuntos Exteriores Abdullah Abdullah e o ex-ministro do Planejamento, Ramazan Bashardost.

A previsão é que os primeiros resultados da eleição sejam divulgados em 3 de setembro, segundo a Comissão Eleitoral. EFE daa/sc

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