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Alta dos preços dos alimentos pode gerar fome e distúrbios pelo mundo

O preço do arroz subiu 141% desde janeiro, o trigo custa 130% mais hoje do que há 12 meses e o milho nunca esteve tão caro em 12 anos: a disparada dos preços dos alimentos provoca protestos violentos em muitos países e cada vez mais gente passa fome. NYT: http://ultimosegundo.ig.com.br/new_york_times/2008/04/18/pelos_quatro_cantos_do_mundo_a_falta_de_comida_provoca_desespero_em_populacoes_1278012.htmlfalta de comida provoca desespero entre populações do mundo

AFP |

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O Programa Mundial de Alimentos da ONU (PAM), que alimenta 73 milhões de pessoas em 78 países e é considerado a última barreira entre os famintos e a inanição, deve receber um reforço de 756 milhões de dólares adicionais (equivalente a 476 milhões de euros), informaram seus dirigentes.

A hiperinflação dos alimentos coloca em perigo o cumprimento dos Objetivos do Milênio da ONU e principalmente a redução pela metade da pobreza no mundo até 2015.

Segundo o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, mais de 100 milhões de pessoas podem acabar em extrema pobreza, vivendo com menos de um dólar por dia, devido ao aumento dos preços dos alimentos.

Se não fizermos frente ao problema, "o mundo viverá um longo período de revoltas, conflitos e desestabilização regional", alertou Jean Ziegler, relator especial da ONU para o direito da alimentação.

Nos países pobres, a população mais carente gasta 75% de seu dinheiro em comida, enquanto que em países ricos, se gasta apenas 15%. Antes da última escalada dos preços, já existia no mundo 854 milhões de pessoas gravemente mal alimentadas.

"É uma carnificina humana", acusou Ziegler.

Egito, Camarões, Costa do Marfim, Haiti, Mauritânia, Etiópia, Senegal, Burkina Faso, Madagascar, Paquistão, Filipinas, Indonésia são alguns dos países que sofreram violentos distúrbios devido às crises alimentarias. Até mesmo a China está preocupada.

"Para a classe média, implica eliminar gastos em saúde. Para os que vivem com dois dólares por dia, implica eliminar a carne e tirar as crianças da escola", disse Josette Sheeran, chefe do PAM.

"Para os que têm um dólar por dia, implica cortar a carne e o vegetais e comer somente cereais. Já os que dispõem de 0,50 centavos de dólar por dia, é um desastre total", lamentou.

O chefe da FAO, Jacques Diouf, convocou os chefes de Estado e de Governo para uma cúpula em Roma, de 3 a 5 de junho, para discutir como enfrentar a crise.

Um comunicado da Unesco elaborado por 400 especialistas alertou sobre uma iminente "explosão" social caso os países não reformem suas políticas agrícolas para garantir o auto-abastecimento.

A FAO, por outro lado, insistiu em Brasília sobre a necessidade de reforma agrária na América Latina, e calcula que os países da região mais afetados pela crise são a Nicarágua e a Bolívia.

Segundo a FAO, 10% da população da América Latina e o Caribe passam fome, ironicamente, em uma região que produz 40% a mais de alimentos necessários para se abastecer.

A alta do custo dos alimentos tem sido atribuída em parte à crescente demanda da China e da Índia, assim como o uso alternativo do milho, soja e cana-de-açúcar para produzir biocombustíveis, o que não é aprovado pelo Brasil, segundo produtor mundial de etanol.

No Haiti, manifestantes gritavam "Estamos com fome!" e forçaram a renuncia do primeiro-ministro. Pelo menos 24 pessoas morreram em distúrbios no Camarões, no Egito soldados receberam a ordem de assar e distribuir pão e as Filipinas decidiram prender os que enriquecem vendendo arroz subsidiado pelo governo a preço de mercado.

A Argentina, Indonésia, Vietnã e a Rússia, entre outros, optaram por restringir suas exportações de trigo, arroz e soja para acalmar o mercado doméstico.

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