O Fundo Monetário Internacional divulgou um relatório nesta terça-feira no qual afirma que a alta mundial de preços de alimentos e de combustíveis pode levar diversos países de renda média e baixa a uma situação-limite.

De acordo com o diretor do fundo, Dominique Strauss-Kahn, ''se os preços de alimentos aumentarem e os do petróleo permanecerem os mesmos, alguns governos não serão mais capazes de alimentar suas populações e, ao mesmo tempo, manter a estabilidade de suas economias''.

O relatório Preços de Alimentos e Combustíveis - Desenvolvimentos Recentes, Impactos Macroeconômicos e Ações Políticas afirma que o contínuo crescimento global, em especial nas economias emergentes, vem provocando o aumento de diversas commodities.

Entre as commodities que vêm registrando expressivos aumentos estão petróleo, metais e, mais recentemente, alimentos. O fundo afirma ainda que a oferta tem sido lenta em suprir a crescente demanda global por estes produtos.

Biocombustíveis

O fundo afirma também que o impacto nos preços tem sido reforçado por outros fatores, como crescente demanda por biocombustíveis e restrições a políticas de livre comércio, em especial as relativas ao cultivo de arroz.

De acordo com o FMI, o aumento do preço de combustíveis custou um total de US$ 35,8 bilhões a 59 países de baixa renda importadores de petróleo - a cifra representa o equivalente a 2,2% de seus PIBs em 2007.

O crescente aumento de produção de biocombustíveis e os subsídios oferecidos a esta indústria, em especial ao etanol à base de milho, também teria exercido um papel importante na atual crise, segundo o fundo.

O FMI afirma que a crescente produção de etanol à base de milho provocou cerca de 75% do aumento do consumo mundial de milho em 2006 e 2007, o que não apenas provocou aumento dos preços de milho, mas também o de outros alimentos, como o de bovinos e aves, cujas razões são compostas por milho.

De acordo com o estudo, a inflação mundial de alimentos para 120 países de renda baixa e mercados emergentes alcançou 12% ao final de março de 2008, contra uma taxa de 10%, que havia alcançado três meses antes, enquanto os aumentos dos preços de combustíveis no mesmo período passaram de 6,7% para 9%.

O órgão avalia que a alta tanto de petróleo como de alimentos não tende a registrar uma queda no curto ou no médio prazo.

Entre as recomendações do fundo para mitigar a atual crise estão adoção de programas sociais, bem como de políticas fiscais e macroeconômicas. Mas o órgão afirmou que alguns países contam com recursos para afrouxar seus orçamentos e gastar mais na área social, ao passo que outros necessitarão de ajuda externa.

Strauss-Kahn frisou que o FMI já está fornecendo auxílio financeiro adicional a sete países de baixa renda através do programa de Redução de Pobreza e de Facilitação do Crescimento e pediu para a comunidade internacional fazer mais pelos países mais pobres.''O fundo não é uma agência de desenvolvimento. Por isso, é preciso que outros prestem auxílio'', afirmou.

O diretor do fundo disse que a alta de alimentos e de combustíveis será um dos temas dominantes da reunião do G8 (o grupo que reúne as sete maiores economias do mundo mais a Rússia), da qual ele participará e que será realizada em Hokkaido, no norte do Japão, entre os próximos dias 7 e 9 de julho.

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