Alta de preços de alimentos aumentará pobreza e indigência na América Latina

Santiago do Chile, 18 abr (EFE).- A alta persistente dos preços internacionais dos alimentos aumentará a pobreza e a indigência na América Latina e no Caribe, caso não se tome medidas urgentes para solucionar a situação, afirmou hoje o secretário-executivo da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), José Luis Machinea.

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Por meio de uma declaração divulgada nesta sexta-feira, Machinea argumenta que a alta de preços "não só está castigando os setores mais pobres da região, mas também gerou um impacto de distribuição regressiva".

Ele explica que o aumento dos preços internacionais é um fenômeno que se manifesta há vários anos, mas que se acelerou nos últimos 12 meses.

Afirma que são especialmente preocupantes as altas nos preços do milho, trigo, arroz e oleaginosas, que em alguns casos superam 100%.

Machinea também destacou que desde o início de 2006, e especialmente 2007, os índices de preços ao consumidor de alimentos se aceleraram na maioria das economias da região e têm registrado um ritmo anual que oscila entre 6% e 20% nos diferentes países, com uma média próxima a 15%.

Partindo das projeções de indigência realizadas para 2007, a Cepal calcula que um aumento de 15% no preço dos alimentos eleva a incidência da indigência em quase três pontos, de 12,7% para 15,9%.

"Isso significa que essa alteração dos preços faria com que 15,7 milhões a mais de latino-americanos caiam na indigência. No caso da pobreza, os aumentos são parecidos, já que a mesma quantidade de pessoas passaria a ser pobre", precisa a análise.

No entanto, de acordo com o estudo, caso se considere uma melhora de 5% na renda das famílias, similar à média da inflação regional, ao redor de dez milhões de pessoas passariam à indigência como conseqüência do aumento de preços.

Um contingente similar passaria à condição de pobres, isto sem contar com o agravamento da situação social das pessoas que antes desses aumentos já viviam na pobreza e indigência.

O secretário-executivo da Cepal avalia que o panorama se complicará ainda mais pelos efeitos das altas dos combustíveis, que tiveram reflexo no transporte e em vários serviços públicos.

Machinea estima que seja necessária uma contribuição excepcional proveniente dos países desenvolvidos e, em certa medida, dos países que são exportadores líquidos de alimentos, a programas e organismos, como o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas, para que possam levar ajuda de emergência a povoações em situação de risco.

Segundo o funcionário da Cepal, dado que os altos preços dos alimentos "vieram para ficar", é recomendável manter políticas específicas destinadas aos setores de menos recursos.

"Além disso, é preciso impulsionar propostas de médio e longo prazo destinadas a aumentar a oferta e a produtividade de maneira sustentável", concluiu. EFE mc/fb

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