Alta comissária da ONU pede envio de observadores a Gaza

Genebra - A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, pediu hoje o envio de observadores internacionais a Israel e aos territórios palestinos ocupados, e insistiu em que sejam investigadas as ações cometidas nas últimas duas semanas na Faixa de Gaza.

EFE |

Na abertura de uma sessão extraordinária do Conselho de Direitos Humanos (CDH) destinada à situação em Gaza, Pillay se uniu às vozes que afirmam que o sofrimento da população palestina é "intolerável" e reivindicou o fim imediato do confronto.

O CDH está reunido, por iniciativa de 33 dos 47 países que integram este órgão das Nações Unidas, para debater as conseqüências sobre a população civil da ofensiva militar lançada por Israel em 27 de dezembro.

A gravidade da crise em Gaza concentra a atenção internacional, o que se reflete na extensa lista de países - cerca de 50 - que solicitaram discursar nesta sessão, além de várias ONGs.

Um porta-voz do CDH disse que a sessão poderia durar até a próxima segunda-feira, diante do grande número de oradores previstos.

Ao abrir a sessão, Pillay disse que observadores internacionais devem se mobilizar em Israel e nos territórios palestinos para documentar de maneira imparcial as violações aos direitos humanos e ao direito internacional humanitário (aplicável em casos de conflito).

Também pediu que se permita que os especialistas da ONU em diversos temas de direitos humanos possam chegar a Gaza e Cisjordânia, já que para isso precisam da autorização do Governo israelense.

Durante a primeira hora de discursos, a maioria dos países reivindicou o fim das hostilidades e condenou os ataques israelenses devido a suas conseqüências nefastas sobre a população civil, e denunciaram o Hamas pelo lançamento de foguetes contra áreas povoadas de Israel.

O embaixador palestino na ONU em Genebra, Ibrahim Khraishi, qualificou de "genocídio" o que ocorre em Gaza e cifrou em mais de 750 o número de mortos, "dos quais 240 são crianças e 90, mulheres".

Segundo o embaixador, "80% dos mortos pelos ataques são civis, e isso sem contar todas as vítimas que não puderam ser resgatadas e permanecem sob os escombros", acrescentou.

O embaixador de Israel na ONU em Genebra, Aharon Leshno-Yaar, defendeu a ação militar de seu Governo e acusou o Hamas de utilizar a população palestina como "escudos humanos, ao se esconderem em escolas, mesquitas e casas, que transformam em armazéns de munição".

A delegação do Chile, representando os países latino-americanos, expressou seu "repúdio" diante do assassinato de civis, especialmente de mulheres e crianças, em Gaza, condenou os bombardeios aéreos de Israel pelo "uso excessivo e desproporcional" da força, assim como a mais recente incursão terrestre em grande escala.

"É inadmissível que a população palestina seja vítima de ataques armados indiscriminados dessa magnitude, e também são inadmissíveis os ataques causadores de perdas humanas e sofrimento na população civil israelense", afirmou.

14º dia de bombardeios

Leia também

Vídeos

Opinião

Leia mais sobre: Faixa de Gaza

    Leia tudo sobre: gaza

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG