Alta comissária da ONU denuncia violações dos direitos humanos por Israel

Genebra, 14 ago (EFE).- A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navy Pillay, denunciou hoje graves violações por parte de Israel nos territórios palestinos ocupados, pediu o fim do bloqueio e que seus responsáveis sejam castigados.

EFE |

Em seu relatório sobre a situação em Gaza e Cisjordânia, que será apresentado à Assembleia Geral da ONU no dia 29 de setembro e cujo conteúdo se conheceu hoje, Pillay relata os ataques sofridos pelos civis palestinos durante a ofensiva contra Gaza, em dezembro e janeiro, quando morreram 1,3 mil palestinos (cerca de mil civis), além de 10 soldados e quatro civis israelenses.

Pillay assinala que há "numerosos relatos" de ataques do Exército israelense contra civis palestinos.

"No dia 3 de janeiro, na zona de Zeitun da Cidade de Gaza, os soldados israelenses se aproximaram de uma família e ordenaram ao pai que se afastasse. Ele obedeceu com as mãos ao alto e seus documentos de identidade à vista. Os soldados atiraram sem avisar e depois abriram fogo indiscriminadamente dentro da casa até que todos estivessem no solo, ferindo à mãe e quatro filhos, um dos quais morreu", assinala Pillay.

Em outro incidente, diz que "os soldados israelenses ordenaram cerca de 100 palestinos a entrarem em uma casa em Zeitun... e, 24 horas depois, bombardearam a casa repetidamente, matando 23 pessoas".

Um terceiro caso exposto pela alta comissária é o de uma família de seis membros que recebeu a ordem de sair de sua casa na zona de Jabalia. "Todos saíram com bandeiras brancas e depois de cinco minutos, um soldado abriu fogo, matando duas crianças e outros dois membros da família. A casa foi demolida".

Pillay denuncia que as forças armadas israelenses miraram e atacaram numerosas instalações civis, incluídos edifícios do Governo, hospitais e escolas.

Dia 5 de janeiro - afirma - as forças israelenses bombardearam em ataques aéreos o centro médico Al-Raeiya, que estava claramente identificado. No total 27 hospitais foram danificados na ofensiva, segundo números da OMS.

Também foram atacadas sedes da ONU, como o principal edifício do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) em Gaza, onde estavam refugiados cerca de 700 palestinos.

O relatório também constata o uso de fósforo branco por parte das forças israelenses numa zona tão densamente povoada como é Gaza e revela que durante os 22 dias de ofensiva, a faixa, de 360 quilômetros quadrados e com 1,5 milhão de habitantes, esteve fechada, o que impediu que os civis fugissem dos combates.

O relatório também denuncia outras violações dos direitos humanos nos territórios palestinos de Gaza e Cisjordânia fora dessa ofensiva, como a violência dos colonos judeus, a demolição de casas e as graves restrições ao direito de ir e vir impostas pelo muro construído por Israel na Cisjordânia.

Afirma que, em 2009, enquanto Israel destruiu 72 imóveis palestinos na Cisjordânia e Jerusalém Oriental, deixando sem lar cerca de 300 pessoas, o número de edifícios nos assentamentos judaicos da Cisjordânia em 2008 aumentou 60% em relação ao ano anterior, segundo dados da ONG israelense "Paz Agora".

Pillay denuncia também em seu relatório o lançamento de foguetes por parte do Hamas contra território israelense e outras violações cometidas por este grupo que governa Gaza, como "execuções extrajudiciais e maus tratos contra supostos colaboracionistas de Israel".

A alta comissária da ONU expressa sua preocupação porque foi ignorada a sentença da Corte Internacional de Justiça sobre o muro da Cisjordânia, declarado ilegal porque restringe gravemente a liberdade de ir e vir dos palestinos.

Pillay recomenda, além disso, que se acabe com o bloqueio contra Gaza, que qualifica de "castigo coletivo", e que "todas as alegações de violações do direito internacional humanitário sejam investigadas... e suas vítimas obtenham reparação".

Pede, igualmente, que Israel interrompa a construção de assentamentos. EFE vh/fk

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