Al-Shabab assume atentados que causaram 74 mortos em Uganda

Vítimas assistiam à final da Copa do Mundo quando explosões ocorreram

iG São Paulo |

A milícia radical islâmica somali Al-Shabab, ligada à Al-Qaeda, assumiu nesta terça-feira, em entrevista coletiva em Mogadíscio, capital da Somália, sua responsabilidade pelos atentados de domingo em Campala, capital da Uganda , nos quais morreram ao menos 74 pessoas que assistiam à final da Copa do Mundo.

Durante a Copa do Mundo, o grupo Al-Shabab e outras milícias radicais islâmicas proibiram na Somália os residentes das regiões sob seu controle de ver os jogos pela televisão . Essa é a primeira vez que esse grupo realiza atentados com explosivos fora da Somália.

Reuters
Feridos em atentados são atendidos em corredor de hospital da capital de Uganda

As bombas explodiram em um clube de rúgbi, onde as pessoas viam o jogo em um telão ao ar livre, e em um restaurante de comida etíope, onde também se assistia à final entre Espanha e Holanda. "As nacionalidades das vítimas serão comunicadas mais tarde", declarou a porta-voz da polícia, Judith Nabakooba. "Só queríamos ver a partida, e infelizmente fomos para a área etíope", declarou no hospital Chris Sledge, um jovem de 18 anos, que sofreu ferimentos graves nas pernas e em um olho.

Em Campala, o inspetor geral da polícia, Kale Kayihura, disse em entrevista coletiva que havia detido uma pessoa relacionada aos atentados de domingo e que na segunda-feira localizou um cinto com explosivos utilizados pelos terroristas suicidas. O cinto leva a crer que os terroristas preparavam um terceiro atentado e se supõe que os outros dois foram executados por suicidas.

O porta-voz do Al-Shabab, Ali Mohamud Rage, conhecido como "Ali Dhere", indicou: "advertimos reiteradamente aos ugandenses que se não deixassem de massacrar nossa gente em Mogadíscio provariam a dor outra vez, mas seus dirigentes mercenários disseram a eles que as ameaças de Al-Shabab só eram declarações".

nullUganda, juntamente com Burundi, fornece tropas à Missão da União Africana na Somália (Amisom), ameaçada por Al-Shabab, que pretende derrubar o governo apoiado pela comunidade internacional para controlar o país. Para o grupo, que controla a maior parte da Somália, a Amisom se trata de uma força de ocupação. A Amison foi posicionada em março de 2007 e atualmente sua principal missão consiste em proteger o frágil governo provisório que dirige o país desde janeiro de 2009.

O porta-voz deste braço da Al-Qaeda na África também ameaçou o Burundi: "Faço uma advertência as pessoas do Burundi que eles são mais frágeis do que a Uganda, têm menos força e menos experiência. Esperamos que eles tirem lições com o ocorrido em Uganda".

"Se não escutarem nossa advertência e retirarem vossos mercenários de Mogadíscio, o próximo alvo será Bujumbura e podem estar seguros que não poderão impedir que a Al-Shabab ataque", avisou "Ali Dhere". O Al-Shabab, que conta com o apoio de centenas de combatentes estrangeiros da Al-Qaeda, também pretende se estender por outros países do leste da África e criar um Estado muçulmano radical.

Repercussão internacional

O presidente americano, Barack Obama, condenou na última segunda "os ataques deploráveis e covardes" e afirmou que seu país está disposto a prestar ao governo local a ajuda que precisar, informou o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Mike Hammer. Entre os mortos figura um americano, informou a Embaixada dos EUA em Campala.

O governo francês também condenou os atentados. Em comunicado, o ministro de Assuntos Exteriores francês, Bernard Kouchner, ressaltou que seus autores devem ser identificados e julgados. "Nessas circunstâncias dolorosas, a França expressa suas mais sinceras condolências às autoridades e ao povo ugandense, e especialmente às famílias das vítimas."

A União Africana (UA) também classificou o ocorrido de "ato terrorista (que) deve ser condenado nos termos mais fortes". E o presidente somali, Sharif Sheij Ahmed, afirmou que foi um "ato vil e diabólico".

* Com Reuters e EFE

    Leia tudo sobre: UgandaSomáliaÁfricaatentadoAl-QaedaAl Shabab

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG