Al-Qaeda segue planejando ataques no Ocidente sete anos depois do 11/9

Sete anos depois dos mortíferos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, os líderes da Al-Qaeda ainda não foram capturados pelos serviços de inteligência norte-americanos e continuam planejando ataques no Ocidente, alertaram analistas e funcionários governamentais.

AFP |

Segundo os analistas, Osama bin Laden e Ayman al-Zawahiri seguem dirigindo a Al-Qaeda desde as montanhas do Paquistão, e obtiveram recentemente vários sucessos importantes no Afeganistão graças a seus velhos amigos talibãs.

"Além de continuarem em liberdade, eles se comunicam com seus seguidores em todo o mundo através de vídeos e apóiam guerras contra as forças americanas no Afeganistão e no Iraque", declarou Bruce Riedel, ex-agente da CIA.

Depois de sofrer vários importantes reveses, sobretudo no Iraque e na Arábia Saudita, a rede Al-Qaeda voltou à ativa com a crise política no Paquistão e o ressurgimento dos talibãs no Afeganistão.

"Hoje em dia, o centro do extremismo islâmico e do terrorismo está no Paquistão, e não no Iraque", ressaltou Anthony Cordesman, analista do Center for Strategic and International Studies.

Os serviços de inteligência norte-americanos estão preocupados com a possibilidade de a Al-Qaeda estar utilizando seus refúgios no Paquistão para preparar novos ataques contra os Estados Unidos e seus aliados.

A rede terrorista conta agora no Paquistão com as mesmas vantagens operacionais e logísticas que tinha no Afeganistão antes dos ataques de 11 de setembro de 2001, afirmou Ted Gistaro, o principal analista de inteligência para ameaças internacionais do governo de Washington.

"Apesar de alguns sucessos obtidos recentemente pelos Estados Unidos e seus aliados na luta contra a Al-Qaeda, como a eliminação de vários dirigentes importantes do movimento desde dezembro passado, a rede manteve ou reforçou sua capacidade bélica contra os Estados Unidos", avisou Gistaro no mês passado.

"A Al-Qaeda está identificando, treinando e posicionando agentes para atacar o Ocidente", insistiu.

Isso explicaria parcialmente a intensificação das operações norte-americanas nas zonas tribais da fronteira entre Afeganistão e Paquistão, onde estariam a maioria das bases terroristas.

Ted Gistaro ressaltou que não está a par de nenhum projeto específico de atentado no solo americano, mas lembrou que a ameaça terrorista pode aumentar com a chegada das eleições presidenciais de novembro nos Estados Unidos.

Bruce Hoffman, especialista em terrorismo da Universidade de Georgetown, destacou que a Al-Qaeda já efetuou movimentos importantes antes de eleições nos Estados Unidos, como o ataque contra o 'USS Cole' em outubro de 2000 ou a divulgação de um vídeo de Bin Laden antes das eleições de 2004.

Bruce Riedel, autor de um livro sobre a Al-Qaeda publicado recentemente, afirmou que o único jeito de erradicar o terrorismo islâmico é fechando os refúgios de terroristas no Paquistão. "Para isso, a cooperação dos paquistaneses é imperativa", frisou.

"É preciso convencer os paquistaneses a se esforçarem mais para eliminar esses santuários terroristas. Se violarmos a soberania do Paquistão atacando alvos em seu território, é possível que esta cooperação (entre Washington e Islamabad) diminua", avisou o especialista.

Para muitos analistas, a guerra no Iraque impediu que os Estados Unidos se focalizassem no Afeganistão, num momento em que a Al-Qaeda estava vulnerável.

jm/yw

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