Al-Qaeda diz que atentado contra a CIA vingou os ataques no Paquistão

O atentado executado por um espião infiltrado da Al-Qaeda, que matou sete membros da CIA e um oficial da inteligência jordaniano no Afeganistão, foi uma vingança pelas vítimas dos aviões sem piloto americanos no Paquistão, afirmou nesta quinta-feira a rede de Osama bin Laden.

AFP |

O suposto autor do atentado suicida, o jordaniano Humam Khalil Abu Mulal al Balawi, se explodiu em 30 de dezembro em uma base da CIA em Khost (leste), no ataque mais violento contra os serviços de inteligência americanos desde 1983.

Balawi era um agente duplo que, além de trabalhar para a CIA como membro dos serviços secretos jordanianos, também pertencia à rede Al-Qaeda.

Diante da embaraçosa situação, uma fonte jordaniana acabou reconhecendo que o homem-bomba colaborava com os serviços de inteligência de seu país há um ano.

"Compartilhamos com os Estados Unidos informações relativas ao Afeganistão através dele", admitiu a fonte, que não quis ser identificada.

Balawi era considerado pela inteligência americana uma das melhores fontes sobre a Al-Qaeda, segundo o jornal New York Times, que ouviu funcionários da CIA.

Segundo o diário, ele possuía informações vitais sobre os altos comandos da Al-Qaeda, inclusive sobre onde estaria Ayman al-Zawahiri, o número dois da rede.

"Era um dos elementos mais promissores da agência", declarou um alto funcionário da inteligência americana ao jornal, que pediu para não ter o nome revelado.

Enquanto cumpria a missão de informante, Balawi transmitia textos antiamericanos a sites extremistas sob o nome de Abu Dujana al-Kharassani, explica o New York Times.

Em seu testamento, o agente duplo afirma que o atentado suicida vingava os "mártires" da causa, entre eles uma série de combatentes talibãs mortos em ataques de mísseis lançados por aviões sem piloto americanos.

A mensagem foi divulgada pelo chefe da Al-Qaeda no Afeganistão, Mustafah Abu al Yazid, citado pelo centro americano de vigilância dos sites islamitas SITE.

Entre as vítimas dos ataques, figura o líder talibã paquistanês Baitullah Mehsud, acusado de uma onda de atentados. O principal deles matou a primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto, em dezembro de 2007.

Baitullah Mehsud morreu em um ataque de míssil em agosto de 2009.

Outro chefe talibã, Abu Saleh al Somali, considerado membro do quartel-general da Al-Qaeda e suspeito de ser responsável por atentados na Europa e nos Estados Unidos, morreu em outro ataque cometido em dezembro, no Waziristão do Norte, uma zona tribal instável e na fronteira com o Afeganistão.

Na quarta-feira, novos ataques de aviões sem piloto americanos contra um suposto acampamento rebelde mataram 13 pessoas no mesmo distrito do Waziristão do Norte. Foi o quinto bombardeio contra a região em uma semana.

Os americanos intensificaram recentemente os bombardeios contra o Waziristão do Norte e pressionam cada vez mais para que o Paquistão acabe com os grupos armados que ameaçam as tropas americanas e as da Aliança Atlântica (Otan) no Afeganistão.

Em visita a Cabul nesta quinta-feira, o senador republicano americano John McCain afirmou que os ataques com aviões sem piloto contra alvos extremistas no Paquistão são um elemento muito eficaz da estratégia dos Estados Unidos e devem prosseguir.

"Os aviões sem piloto têm desequilibrado a Al-Qaeda e outros grupos extremistas e têm obtido êxito, e nós estamos trabalhando de forma mais estreita com o governo afegão, assim como com o governo paquistanês, para conseguir que estas operações sejam mais eficazes e menos prejudiciais para a população civil", disse McCain.

Aviões não tripulados Predator são utilizados para obter informações e executar ataques contra militantes talibãs e da Al-Qaeda nas regiões de fronteira entre Afeganistão e Paquistão, onde se encontram as bases dos líderes destes grupos.

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