Al-Qaeda confirma morte de Osama bin Laden

Rede terrorista diz que sangue de líder "não será desperdiçado" e anuncia que divulgará em breve último áudio de Bin Laden

iG São Paulo |

A rede terrorista Al-Qaeda confirmou nesta sexta-feira a morte de seu líder Osama bin Laden e fez um alerta de retaliação, dizendo que a "felicidade dos americanos se transformará em tristeza". A declaração diz que o sangue de Bin Laden "não será desperdiçado", afirmando que a organização manterá seus ataques contra os americanos e aliados.

O comunicado também afirma que uma mensagem em áudio de Bin Laden gravada uma semana antes de sua morte será divulgada em breve. "O xeque (Bin Laden) se negou a deixar este mundo antes de dividir com a nação islâmica o prazer causado pelas revoltas (no mundo árabe) ante a injustiça e os injustos", afirma a Al-Qaeda. "Ele registrou nesse sentido uma mensagem de áudio uma semana antes de sua morte, dando felicitações e conselhos, e nós a divulgaremos em breve", diz o comunicado.

AP
Reprodução de site militante mostra trecho de comunicado em árabe em que liderança geral da Al-Qaeda reconhece morte de Osama bin Laden
A confirmação foi feita em uma declaração online divulgada em sites militantes, sob a assinatura da "liderança geral" da Al-Qaeda. O anúncio abre caminho para o grupo nomear o sucessor de Bin Laden. Seu vice, Ayman al-Zawahri , é agora a figura mais importante no grupo e é um concorrente muito provável para assumir o seu posto.

A declaração, com data de 3 de maio, foi a primeira da organização desde a morte de Bin Laden por comandos americanos no domingo, durante uma ação contra a casa onde ele se escondia em Abbottabad , Paquistão. A autenticidade do documento não pôde ser confirmado de forma independente, mas foi divulgado em sites nos quais o grupo tradicionalmente coloca suas mensagens.

"Afirmamos que o sangue do xeque guerreiro sagrado, Osama bin Laden, que Deus o abençoe, é precioso para nós e para todos os muçulmanos e não correrá em vão", diz o comunicado. "Continuaremos, se Deus quiser, perseguindo os americanos e seus agentes dentro e fora de seus países."

"Em breve, se Deus quiser, sua felicidade se tornará tristeza", diz a declaração, "seu sangue será misturado com suas lágrimas". Em seu comunicado, a Al-Qaeda conclamou a população do Paquistão - "onde o xeque Osama foi morto" - a se levantar em revolta contra seus líderes.

A Casa Branca reagiu às ameaças afirmando estar numa condição de "vigilância extrema". "Estamos muito conscientes da possibilidade de uma ação e estamos extremadamente vigilantes", afirmou o porta-voz Jay Carney.

Promessa da milícia Taleban

Também nesta sexta-feira, combatentes da milícia islâmica do Taleban fortemente armados, que apareceram num vídeo que mostra pessoas vestidas como militantes da linha de frente no sul do Afeganistão, disseram que a morte de Bin Laden os inspirará a continuar a luta até que todos os soldados estrangeiros tenham deixado o país.

A autenticidade do vídeo obtido pela Reuters no sul do Afeganistão não pôde ser confirmada. O vídeo mostra seis combatentes não identificados do Taleban, todos com os rostos cobertos, com rifles de assalto, lançadores de granada, metralhadoras e outras armas.

Três deles prometeram continuar a combater as forças estrangeiras lideradas pela Otan, apesar do assassinato de Bin Laden, morto por forças dos Estados Unidos no Paquistão.

"Mesmo se a notícia do martírio de Osama bin Laden for verdade, isso não mudará nossa política de jihad (guerra santa)... se for verdade que ele está morto, isso nos dará mais motivação para continuar nossa jihad", disse um dos combatentes no vídeo.

Os combatentes falaram sob a condição de que seus nomes e localização não fossem divulgados. A Reuters obteve o vídeo no sul do Afeganistão.

"O martírio de Bin Laden não afetará nossa estratégia e não nos afastará de nossa meta", disse um segundo combatente. "Vamos continuar com nossa jihad e nosso sacrifício contra os infiéis até o dia do julgamento final, e vamos vingar nossos mártires."

Protesto

Muçulmanos no Paquistão, Índia, Egito, Filipinas e Turquia saíram às ruas de seus países nesta sexta-feira para prestar homenagens a Bin Laden.

Centenas saíram em passeata nesta sexta-feira pelas ruas da cidade de Quetta, no sul do Paquistão, para fazer uma homenagem a Bin Laden e para convocar uma guerra santa contra os americanos.

A manifestação foi organizada pelo Jamiat Ulema e Islam (JUI), partido político ideologicamente ligado ao Taleban em Kuchlak, subúrbio de Quetta, onde a multidão gritava "Vida longa a Osama". Uma bandeira americana foi queimada. "Os serviços prestados por Osama aos muçulmanos serão para sempre lembrados", disse Abdul Qaidr Loone, jovem líder do JUI, em um discurso.

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Partidário de partido religioso do Paquistão segura imagem de Osama bin Laden during protesto em Kuchlak, a 25 quilômetros de Quetta
Hafiz Fazal Bareach, ex-senador e alto dirigente do JUI, afirmou que, ao matarem Bin Laden, os Estados Unidos criaram milhares de outros à sua imagem e semelhança. "Um Osama se transformou em mártir, e agora nascerão milhares de Osamas, porque ele criou um movimento contra as forças antimuçulmanas que não depende de personalidades", declarou, acrescentando que a "jihad (guerra santa) continuará contra os Estados Unidos e seus aliados".

Pressão da ONU

Representantes da ONU para os direitos humanos pediram nesta sexta-feira a Washington que revele informação relacionada ao assassinato de bin Laden para determinar se foram respeitadas as normas internacionais e se foi considerada a possibilidade de capturá-lo vivo.

"É particularmente importante saber se o planejamento da missão permitia um esforço para capturar Bin Laden", disseram em uma declaração comum os relatores da ONU sobre as execuções extrajudiciais, Christof Heyns; e sobre o respeito dos direitos humanos na luta contra o terrorismo, Martin Scheinin.

Ambos os analistas disseram que "as ações dos Estados no combate ao terrorismo, especialmente em casos muito conhecidos, constituem precedentes sobre como se tratará o direito à vida em casos futuros".

Bin Laden foi assassinado no domingo durante uma operação de comandos americanos que atacaram a residência na qual se escondia, na localidade de Abbottabad, arredores de Islamabad (Paquistão).

O líder da organização terrorista Al-Qaeda levou tiros na cabeça e no peito enquanto estava desarmado, segundo confirmaram fontes oficiais. Heyns e Scheinin assinalaram que "os atos terroristas são a antítese dos direitos humanos, e em particular do direito à vida".

Reconheceram que, em "certos casos excepcionais, o uso mortal da força pode ser permitido como último recurso, em concordância com os padrões internacionais do uso da força e a fim de proteger a vida".

No entanto, enfatizaram que, por norma geral, os terroristas devem ser tratados como criminosos, detidos conforme a lei e julgados por tribunais.

*Com AP, Reuters, AFP e EFE

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