País de origem da maioria dos autores dos atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos, a Arábia Saudita já conseguiu neutralizar o braço local da Al-Qaeda, mas ainda não eliminou completamente a ameaça que ela representa, com sua ideologia que conquista cada vez mais adeptos, segundo autoridades e analistas.

O recente recrudescimento dos ataques no Iêmen vizinho mostra, inclusive, que o combate à Al-Qaeda não terminou no Golfo e na península arábica.

"As forças de segurança conseguiram controlar a situação no território e conseguiram, por enquanto, desfazer os complôs da Al-Qaeda no reino", afirmou à AFP o general Mansour al-Turki, porta-voz do ministério saudita do Interior.

"Mas isto não significa que a Al-Qaeda tenha terminado. Ela ainda está tentando propagar seu pensamento e recrutar jovens tanto dentro como fora do reino", continuou, refletindo a prudência de outras autoridades sauditas.

"Precisamos de uma cooperação internacional maior para vencer a Al-Qaeda em todos os lugares em que opera", declarou.

Primeiro exportador mundial de petróleo, a Arábia Saudita anuncia regularmente o desmantelamento de células da Al-Qaeda que planejam atentados e inclusive contra instalações de petróleo.

Riad vem realizando uma guerra sem piedade contra a Al-Qaeda desde que a rede ativou em maio de 2003 uma onda de atentados sangrentos na Arábia, um evento considerado por alguns de "11 de Setembro local", numa referência aos atentados cometidos em 2001 contra os EUA por 19 camicases, dos quais 15 sauditas.

"É verdade que no plano militar, a Al-Qaeda foi em grande parte desmantelada na Arábia, mas ainda não destruímos sua ideologia", reconheceu Jamal Kashoggi, redator do jornal saudita Al-Watan e especialista da questão.

"A Al-Qaeda pode reagir se amenizarmos a pressão", disse, "porque não é um movimento de massa formado por pequenos grupos e, embora demore para recrutar cinco ou dez pessoas, continua sendo perigoso"

Segundo ele, as autoridades conseguiram avanços na luta contra a ideologia da Al-Qaeda. Ele citou assim o comitê de conselho, formado por religiosos, que têm o papel de desviar os jovens da rede, mas destaca que a batalha ideológica ainda não foi vencida, como testemunham as detenções recorrentes de suspeitos.

Para o xeque Mohsen al-Awaji, um islamita moderado, a ameaça da Al-Qaeda foi reduzida a seu nível mais baixo no reino graças a uma tripla ofensiva: a mão de ferro das forças de segurança, que permitiu a eliminação dos chefes do grupo; a ação dos pensadores e dos religiosos para desenvolver um pensamento alternativo saudável e combater a ideologia da Al-Qaeda e, por fim, o combate às fontes de financiamento da rede.

País de origem da família de Osama bin Laden, o fundador saudita da Al-Qaeda, o Iêmen divulgou a detenção e a morte de inúmeros membros do braço local da rede nos últimos meses, afirmando que alguns preparam ataques contra a Arábia Saudita.

Os dois países não escondem que cooperam para combater a rede.

"A Al-Qaeda tenta agir nas falhas do plano de segurança", como na Somália, comentou Khashoggi.

Segundo ele, o problema do Iêmen é que o governo não controla totalmente o conjunto de seu território e há zonas que estão livres, e a Al-Qaeda se aproveita desta situação.

"São algumas dezenas de combatentes, mas eles continuam sendo perigos, principalmente porque estão prontos para cometer atentados suicidas", concluiu.

lg/lm

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