WASHINGTON (Reuters) - A expansão do poderio militar aeronaval da China, financiada pela economia forte do país, parece ter como foco uma contraposição aos Estados Unidos, disse na segunda-feira o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas norte-americanas, almirante Mike Mullen. De acordo com ele, a China tem o direito de responder às suas necessidades de segurança, mas isso fará os EUA trabalharem com seus aliados do Pacífico para se contraporem ao aumento da capacidade militar de Pequim.

"Eles estão desenvolvendo capacidades que são muito focadas no mar, focadas no mar e no ar, e, sob muitos aspectos, focadas em nós", disse ele em conferência na ONG Navy League, em Washington.

"Eles parecem muito focados na Marinha dos EUA e nas nossas bases que estão naquela parte do mundo", acrescentou.

A China apresentou em março um orçamento militar oficial de 70,24 bilhões de dólares para 2009, o que representa um crescimento superior a 10 por cento nos seus gastos de defesa, como vem ocorrendo há quase 20 anos.

Pequim reage a críticas dizendo que tais gastos são compatíveis com seu crescimento e com suas necessidades de defesa, e que seu orçamento continua sendo muito inferior ao dos EUA.

Mullen admitiu que "todo país no mundo tem o direito de desenvolver suas forças militares conforme achar conveniente para responder por sua própria segurança".

Mas, segundo ele, a expansão impulsionada pelo crescimento econômico chinês força os EUA e seus aliados como Coreia Sul, Japão, Austrália e Nova Zelândia a aturarem juntos para "encontrar uma forma de trabalhar" com a China de modo a evitar equívocos.

Na sexta-feira, o principal assessor do presidente Barack Obama para a Ásia havia defendido o estabelecimento de contatos de alto nível com os militares chineses a fim de reduzir a desconfiança mútua.

Um rápido incidente naval em março, em águas próximas à China, mostrou que a "ausência de uma relação sólida entre as duas forças militares é uma parte dessa desconfiança estratégica", disse Jeffrey Bader, diretor de assuntos asiáticos do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca.

O Departamento de Defesa dos EUA diz que, no incidente de março, um navio de pesquisas da Marinha foi perseguido e acossado por embarcações chinesas.

(Reportagem de Karen Jacobs)

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