Santiago do Chile, 26 jun (EFE).- Salvador Allende, presidente chileno deposto em um sangrento golpe militar liderado pelo general Augusto Pinochet, volta hoje ao Palácio de La Moneda - sede do Governo - por meio de centenas de artistas que doaram obras para apoiar sua causa.

A exposição será inaugurada pela presidente do Chile, Michelle Bachelet, no Centro Cultural Palácio de La Moneda, a poucos metros de onde Allende morreu, no dia 11 de setembro de 1973.

"Essa é uma das melhores homenagens que meu pai poderia receber.

Ao completar simbolicamente 100 anos, ele volta ao Palácio de La Moneda através da solidariedade, da liberdade e da expressão artística mais variada e diversa", disse hoje à Agência Efe Maria Isabel Allende, filha mais nova do ex-presidente.

Durante uma visita ao local que receberá a exposição, a deputada socialista destacou que este projeto "partiu da solidariedade, continuou com a resistência e hoje em dia segue crescendo com as novas gerações, que também dão sua contribuição".

Em 1971, o então presidente Allende pediu que artistas nacionais e internacionais, simpatizantes da causa socialista, doassem algumas de suas obras para deixar como legado artístico para o povo chileno.

Em apenas seis meses foram reunidas cerca de 700 peças, que foram expostas pela primeira vez em maio de 1972, no Instituto de Arte Latino-americano da Universidade do Chile.

Nascia assim uma idéia que culminou com a criação do Museu da Solidariedade e que hoje reúne mais de 3.000 obras, das quais 140 serão exibidas no Palácio de La Moneda.

"O objetivo da exposição é lembrar e assinalar a importância de um projeto artístico nascido da vontade internacional, com a idéia revolucionária da solidariedade entre os homens e os povos do mundo", explicou o comissário da mostra, o espanhol Mariano Navarro.

As obras estiveram desaparecidas do golpe de Estado até o final dos anos 80, quando se descobriu que tinham sido guardadas nos porões da Escola de Belas Artes, transformada depois no Museu de Arte Contemporânea da Universidade do Chile.

No entanto, muitas delas estavam danificadas devido às precárias condições de conservação.

Paralelamente, França, Espanha e Suécia criaram os chamados "Museus da Resistência Salvador Allende", que continuaram a receber doações e a expor obras de arte.

Após o retorno da democracia ao Chile, a família Allende e o Governo do então presidente Patrício Aylwin (1990-1994) reuniram as obras dispersas para organizar uma primeira exposição em 1992.

Treze anos mais tarde, com o socialista Ricardo Lagos na Presidência, a Fundação Salvador Allende doou ao Estado chileno o conjunto da coleção.

A exposição, que permanecerá aberta até 27 de agosto, conta com mais de 140 obras de vários dos mais importantes artistas do mundo.

A organização ficou com a Sociedade Estatal para a Ação Cultural Exterior da Espanha, a Fundação Salvador Allende, o Museu da Solidariedade Salvador Allende e o Centro Cultural Palácio de La Moneda. EFE mf/mh

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