Alívio e bom humor no primeiro voo a voltar de Milão para São Paulo após caos aéreo

Lista de espera de quase 90 pessoas foi praticamente liquidada após espera de 96 horas

Juliana Bianchi, iG São Paulo |

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    Juliana Bianchi
    Pessoas na fila para embarcar para São Paulo

    Pessoas na fila para embarcar para São Paulo

    Nove horas da noite da terça-feira, 20, em Milão. No estádio San Siro, os torcedores da Inter comemoram a vitória de 3x1 sobre o Barcelona, em um dos clássicos mais esperados da Liga dos Campeões da Europa. Há uma hora dali, outra torcida se forma, com direito a gritos, abraços e palmas, a cada nome chamado pelas atendentes da TAM para embarcar no primeiro voo com destino ao Brasil saindo do aeroporto de Malpensa, desde o fechamento do espaço aéreo no Norte da Europa, na sexta-feira, 16. Culpa da espessa nuvem de cinzas gerada por um vulcão na Islândia.

    Com aviso de cancelado durante todo o dia, o voo JJ8063 foi remarcado assim que as autoridades aeroportuárias liberaram as decolagens no aeroporto, às 16h. Para alegria dos mais de 90 passageiros que faziam parte da lista de espera, a aeronave também foi mudada. Ao invés do Air Bus 340 original, foi disponibilizado um Boeing 777, com quase cem assentos a mais do que o previsto. Troca não proposital, só possível devido ao mesmo problema que segurou tantos passageiros em solo nos últimos dias: a aeronave simplesmente não conseguiu autorização para pousar em Frankfurt, para onde deveria ter ido.

    Juliana Bianchi
    Casal

    Debora e Leandro com o filho

    Recebi uma ligação da empresa avisando sobre a possibilidade de embarcar se eu estivesse no aeroporto em uma hora. Não pensei duas vezes. Joguei tudo na mala e vim correndo, diz Debora Almeida, que já aguardava há cinco horas no aeroporto com o filho Giovanni, de um ano e seis meses no colo. Ela e o marido Leandro deveriam ter voltado das férias na Itália no dia 17, mas foram surpreendidos pelos reflexos da nuvem de fuligem.

    Tivemos de trocar o hotel por um mais barato, fora de Milão, e negociar o aluguel do carro por mais alguns dias, conta ela, que calcula ter gasto, pelo menos, 600 euros nesses três dias extras no país. O pior é que nem pude aproveitar porque você fica o tempo todo tensa, na expectativa.

    Plantão no aeroporto

    Na fila de embarque, os 20 integrantes da entourage da banda mineira No Trono do Rei, que se apresentou em frente à Duomo, no sábado à noite, durante o festival de música gospel S.O.S Per la Vita, comemorava a possibilidade de voltar ao Brasil depois de um dia e meio de espera. Só viemos para o aeroporto hoje, mas não dava pra fazer mais nada além de esperar, afirma o guitarrista Jarley Brandão.

    Responsável pelo grupo, o agente de turismo Rubens Ciasca, da Líbero Viagens, tinha passado as últimas 24 horas tentando resolver problemas. Aluguei três vans para levar os que não podiam esperar até Roma, de onde estavam saindo voos, e outros foram de trem, diz ele, que pagou cerca de mil euros por veículo, com motorista. Para garantir o tíquete de embarque para os que ficaram em Milão, ele teve de fazer plantão no aeroporto, assim como a grande maioria dos passageiros que tiveram seus voos cancelados.

    Acabamos ficando amigos. Estamos pensando até em criar uma comunidade no Orkut para falar dessa experiência, conta o executivo Gerson Ferreira, que na sexta-feira veio de trem de Frankfurt a Milão, na esperança de conseguir embarcar para o Brasil. Assim que cheguei o espaço aéreo daqui também foi fechado. Até pensei em seguir para Portugal, mas não valia mais a pena.

    Sem aborrecimento

    Com duas horas de atraso, às 23h30, o voo ¿ remarcado com nova numeração, o que gerou diversos problemas no sistema e lentidão no check in ¿ finalmente partiu completamente cheio rumo a São Paulo. Houve até quem aceitasse trocar o bilhete de classe executiva por econômica para garantir um espaço na aeronave.

    Frente à perspectiva de voltar para casa, nem mesmo aqueles que esperaram mais de 96 horas para embarcar mostravam aborrecimento, pelo contrário. O senso de humor aparecia em piadas entre as poltronas e nos aplausos calorosos ao ouvir o aviso sobre a decolagem e a aterrissagem autorizadas. Era o fim de um pesadelo. Depois desse desgaste, não quero saber nem de bife à milanesa por um bom tempo, afirma Ferreira.

    Mesmo com tantos esforços, ainda restaram 20 passageiros da lista de espera no aeroporto de Malpensa. A expectativa é que eles sejam reacomodados pela TAM nos próximos dois dias. Até lá serão mais idas e vindas aos hotéis, onde a troca de informações é constante entre os hóspedes, e histórias de viagens prolongadas à revelia.

    Com o fim do Salão de Móveis ¿ que levou mais de 300 mil visitantes à cidade, entre eles, cerca de 5 mil brasileiros ¿, o retorno dos torcedores que invadiram Milão na terça-feira, e a manutenção da abertura do espaço aéreo, a cidade deverá retomar seu ritmo natural até o fim da semana.

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