Por Missy Ryan WASHINGTON (Reuters) - A alta global no preço dos alimentos atingiu os países em desenvolvimento de diferentes maneiras, dependendo se importam ou exportam comida, mas o fenômeno aumentou a pobreza em termos gerais, disseram economistas do Banco Mundial em um novo estudo.

'Não obstante certas variações quanto às commodities e aos países em pauta, o fato é que a maior parte dos países pobres são importadores de comida e como tais tendem a sentir mais os preços elevados dos alimentos', afirmaram os economistas Will Martin e Maros Ivanic em estudo que analisa a vulnerabilidade das populações de várias partes do mundo em vista da recente alta dos preços.

'Os casos de aumento da pobreza são consideravelmente mais frequentes e mais acentuados do que os de redução da pobreza', disseram.

Essas conclusões confirmam o que muitas autoridades -- e muitas pessoas comuns que enfrentam filas para conseguir arroz e pão -- suspeitam há meses, período no qual a elevação do preço de alimentos básicos tornou mais difícil para as famílias pobres colocarem comida em suas mesas.

O recorde de preços nos mercados de commodities -- entre 2005 e 2007, o trigo subiu 70 por cento, o milho, 80 por cento, e os laticínios, 90 por cento -- colocou manifestantes nas ruas de vários países, do Egito ao Haiti.

Muitas dessas nações passaram a restringir a exportação de produtos alimentícios, a baixar os impostos que incidem sobre eles e a acumular estoques domésticos, medidas que, segundo os analistas, servirá apenas para agravar o problema.

A tendência de alta pode ser uma boa notícia para os produtores em países exportadores de alimentos, como o Brasil e os EUA, mas faz vítimas entre os países importadores e entre as pessoas mais pobres, que gastam cerca de três quartos de sua renda com a comida.

NEW DEAL AGRÍCOLA

Em vista da disparada dos preços em 2007, os autores do estudo descobriram que a pobreza aumentou em uma amostra de países em desenvolvimento a uma média de 3,4 por cento nos lares urbanos e 2,1 por cento nos rurais.

Na média, o estudo descobriu que a pobreza aumentou 2,6 por cento em nove países a respeito dos quais obtiveram dados confiáveis: Bolívia, Camboja, Madagascar, Malauí, Nicarágua, Paquistão, Peru, Vietnã e Zâmbia.

Dentre os países analisados, o mais atingido foi a Nicarágua, onde a pobreza aumentou 10,7 por cento nas zonas urbanas, e 7,8 por cento no geral.

O aumento dos preços, que deve durar no mínimo vários anos, vem sendo incentivado por uma soma de fatores, entre os quais a elevação da produção de etanol a partir de milho, maior demanda por carne em países emergentes e as condições climáticas mais instáveis.

A crise fez com que governos e organismos internacionais saíssem à cata de soluções. O Programa Mundial de Alimentação fez apelos por doações de comida e o Banco Mundial lançou um pedido urgente para que seja selado um 'new deal' para o setor agrícola.

Alguns afirmam que o fenômeno sublinha a importância de se concluir um novo acordo mundial de comércio na rodada de Doha, coordenada pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

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