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Alimentação é emergência universal , dizem autoridades latino-americanas

Marcial Campos Maza Santiago do Chile, 6 mai (EFE).- Ministros e vice-ministros de mais de 30 países da América Latina e do Caribe reunidos em Santiago concluíram hoje que a alimentação é uma urgência nacional, regional e universal.

EFE |

Reunidos na "Conferência Regional para a Erradicação da Desnutrição Infantil na América Latina e no Caribe", os participantes do encontro concordaram em que a segurança alimentar "deve ser colocada no mais alto nível da agenda política".

Na chamada "Declaração de Santiago", referendada por mais de 100 representantes oficiais, insistiu-se para que sejam garantidos os alimentos nos grupos mais vulneráveis da população, especialmente das zonas rurais e de grupos étnicos marginalizados que vivem em pobreza extrema.

Insistiram em que é preciso dedicar atenção especial às crianças com menos de três anos, às mulheres em idade fértil, às grávidas, às mães que amamentam e a outros grupos com necessidades nutricionais especiais.

Nesse contexto, pediram aos Governos para estimular uma maior produção de alimentos, em particular os pequenos agricultores em área rurais, e que se facilite o acesso deles aos consumidores.

Também concordaram em fazer um apelo urgente à comunidade internacional para que, de forma coordenada, intensifique seu apoio aos países mais frágeis da região, mediante doações de recursos e de alimentos.

Finalmente, firmaram acordos para promover a cooperação horizontal entre países por meio de diversos mecanismos, que facilitem respostas rápidas e adequadas, especialmente às reivindicações estipuladas na Agenda de Cooperação Sul-Sul.

Segundo a ministra do Desenvolvimento Social do Panamá, María Roquebert, o fundamental do fórum foi dinamizar a cooperação entre os países da América Latina.

"Há programas e experiências muito bem-sucedidas em países da região em torno da segurança alimentar, do combate à fome e à desnutrição infantil que têm de ser aproveitados e potencializados por países que iniciaram processos desse tipo, como parte de uma estratégia de luta contra a pobreza", afirmou.

Roquebert concordou com outros especialistas em que o tema ao qual se deve olhar com mais firmeza é a desnutrição infantil: "É a emergência a qual devemos combater", precisou.

No entanto, Jere R. Behrman, professor de economia da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, advertiu que em muitos casos os Governos não reconhecem o problema, tal como manifestaram vários organismos internacionais.

"Não vêem como algo tão importante, quando na realidade é um problema muito complexo do ponto de vista ético, do bem-estar da população, mas também é um problema enorme pelo lado econômico. E precisamente este segundo enfoque é o que os Governos não reconhecem", acrescentou.

Behrman indicou que se investe muito pouco em nutrição infantil em muitos países da região, embora tenha reconhecido que, no Chile e no Panamá, se combateu o problema. No entanto, acrescentou, na maioria dos países ainda é preciso trabalhar muito para melhorar a situação.

Para Lola Martín, da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento, "o ponto final é que não se pode esperar a adoção de medidas coordenadas, deve-se dar uma resposta urgente e integral ao problema", afirmou à Agência Efe.

Mais de 100 representantes de mais de 30 países da América Latina e o Caribe se reuniram durante segunda e terça-feira na capital chilena, onde debateram as políticas para acabar com a desnutrição infantil, que, por culpa da alta do preço dos alimentos, poderia aumentar o número de afetados nos próximos dois anos. EFE mc/rb/db

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