Aliança Berlusconi-Veltroni é possível, diz analista

Os dois principais candidatos a primeiro-ministro da Itália nas eleições parlamentares de domingo e segunda-feira, Silvio Berlusconi e Walter Veltroni, podem formar um governo comum, caso nenhum dos dois obtenha maioria certa, avalia o cientista político Giovanni Orsina. Caso não haja uma maioria clara no Senado, é provável um acordo entre o Partido da Liberdade (liderado por Silvio Berlusconi) e Partido Democrático (de Walter Veltroni), disse Orsina, professor de ciências políticas da Universidade Luiss de Roma em entrevista à BBC Brasil.

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Na avaliação do cientista político, ainda que os dois candidatos a primeiro-ministro da Itália tenham negado a possibilidade de aliança, há interesses comuns que levam a acreditar no contrário.

"Silvio Berlusconi e Walter Veltroni querem dar uma estrutura bipolar, baseada em dois grandes partidos, ao sistema político italiano. Se o vencedor não tiver maioria certa, é possível um governo conjunto para realizar reformas institucionais destinadas, entre outras coisas, a diminuir o peso dos partidos menores, o que interessa aos dois", disse Giovanni Orsina.

Regras eleitorais
De acordo com as regras estabelecidas pela lei eleitoral em vigor na Itália, os votos para a Câmara dos Deputados garantem maioria clara, ao premiar quem obtiver a preferência nacional.

O mesmo não acontece no Senado, onde o prêmio se baseia nas preferências regionais, e a maioria pode ser diferente da Câmara.

O resultado é uma dificuldade maior para governar, como aconteceu com Romano Prodi, que tinha maioria certa na Câmara, mas, no Senado, uma vantagem de apenas dois senadores.

As pesquisas de opinião, proibidas na última semana antes do voto, davam Berlusconi em vantagem na Câmara, mas incerto no Senado.

Um possível governo comum entre as duas principais formações políticas do país chegou a apelidado pela imprensa italiana e internacional de governo "Veltrusconi".

Crise
Seria um governo de responsabilidade nacional para resolver a grave crise econômica que o país atravessa.

Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a economia italiana está praticamente parada. O aumento previsto do PIB para 2008 é de 0,3%, bem abaixo da média dos principais países europeus, que é de 1,4%.

Os italianos têm dois dias, domingo e segunda-feira de manhã, para eleger o novo Parlamento, formado por 630 deputados e 315 senadores.

Os eleitores podem optar entre 30 partidos e grupos políticos, mas não dão preferência aos candidatos, que são indicados pelas lideranças.

Para se eleger na Câmara, o partido deve obter no mínimo 4% dos votos e no Senado 8%.

Dos 30 grupos, 16 apresentam candidatos à chefia do Executivo, entre eles uma mulher, Daniela Santanchè, representante do partido de extrema direita "La Destra".

Mas a disputa pelo governo da Itália se concentra mesmo em dois partidos: o PDL, Partido da Liberdade, de centro direita, liderado pelo ex-premiê Silvio Berlusconi; e o PD, Partido Democrático, principal força política de centro-esquerda, cujo líder é o ex-prefeito de Roma, Walter Veltroni.

O Partido Democrático, fundado em outubro passado, é herdeiro da "Oliveira", do ex-premiê Romano Prodi, formação política heterogênea, composta por ex-comunistas, comunistas, socialistas e católicos progressistas.

Ao se candidatar para estas eleições, Veltroni optou por concorrer sem o apoio dos grupos da esquerda mais radical e aceitou a colaboração do ex-magistrado da Operação Mãos Limpas, Antonio Di Pietro.

Coalizão Berlusconi
Silvio Berlusconi, candidato a chefe do Executivo pela terceira vez, lidera uma coalizão formada por seu partido, o Força Itália, pelos ex-fascistas da Aliança Nacional e os separatistas e xenófobos da Liga Norte.

O grupo de Berlusconi perdeu o apoio dos católicos moderados do UDC, de Pierferdinando Casini, que conta com o apoio da Igreja Católica italiana.

Pela segunda vez, os italianos que moram no exterior também votam, elegendo 12 deputados e seis senadores entre os candidatos de sua região.

São cerca de 3 milhões de eleitores, divididos em quatro zonas: América do Norte e Central; América do Sul, com cerca de 780 mil eleitores; África, Ásia, Oceania e Europa.

A América do Sul terá três representantes na Câmara dos Deputados e dois no Senado.

Os italianos no exterior votaram na quinta-feira passada, por correspondência, e os votos serão contados a partir de segunda-feira.

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