Aliados pressionam por renúncia de Musharraf no Paquistão

Por Kamran Haider ISLAMABAD (Reuters) - Aliados do presidente do Paquistão Pervez Musharraf aumentaram a pressão para que o líder renuncie antes que a coalizão governante tente aprovar seu impeachment este mês, disseram autoridades no domingo.

Reuters |

O Paquistão vive desordem política desde o início do último ano. Os Estados Unidos e seus aliados temem que uma prolongada crise constitucional e política leve instabilidade ao Estado nuclear parceiro de Washington na guerra ao terrorismo, e a incerteza já pertuba investidores.

A coalizão governante, liderada pelo partido do ex-primeiro-ministro Benazir Bhutto, decidiu na quinta-feira agir para aprovar o impeachment de Musharraf, argumentando que ele levou o Paquistão a crises políticas e econômicas durante quase nove anos de governo.

Mas antes mesmo da moção de impeachment ser apresentada ao parlamento, alguns de seus próprios aliados já pediram sua renúncia e ameaçaram votar contra ele se isso não ocorrer.

'Eu aconselhei o presidente a escolher uma saída digna e renunciar para salvar o país de mais polarização', disse Sardar Bahadur Khan Sihar, parlamentar do principal aliado de Musharraf, a Liga Muçulmana Paquistanesa (PML-Q).

'Se ele não renunciar, então é óbvio que votarei a favor de seu impeachment.'

Um grande aliado de Musharraf disse que ele deve renunciar antes do pedido de impeachment ser apresentado.

'Acho que haveria um acordo ... Nenhum impeachment em troca da renúncia', disse a fonte à Reuters sob a condição de anonimato.

'Acho que ele renunciaria porque seria um estigma ser o primeiro presidente a sofrer impeachment', disse o ministro de Educação Ahsan Iqbal, aliado do arqui rival de Musharraf, o ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif.

As opções para o presidente se reduziram ainda mais depois que o PML-Q disse não poder apoiá-lo se ele tentar usar poderes constitucionais para demitir o governo e dispensar o Parlamento.

A coalizão governante está sem a maioria de dois terços exigida no Parlamento para passar uma moção de impeachment, mas autoridades da coalizão disseram que vários aliados do presidente asseguraram seu apoio.

Musharraf, que tomou o poder como chefe do Exército em 1999, se enfraqueceu depois de deixar o Exército, sua principal base de poder, em novembro e se tornou politicamente isolado depois que seus rivais venceram as eleições em fevereiro.

Musharraf passou o comando do Exército ao General Ashfaq Kayani. Kayani já tomou várias medidas para retirar o Exército de questões civis e ainda não manifestou uma posição sobre o impeachment.

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