Cabul, 13 fev (EFE).- Pelo menos cinco talibãs morreram nas primeiras horas da grande ofensiva lançada nesta madrugada pelas tropas aliadas na província de Helmand (sul), informou à Agência Efe um oficial das Forças Armadas do Afeganistão.

Sem dar mais detalhes, Shir Mohammed Zazi, comandante do Exército afegão, disse por telefone que outros oito insurgentes ficaram feridos "nas primeiras horas da operação".

Em vários comunicados, a Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf), comandada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), informou que 5 mil soldados americanos, um grande contingente britânico, 2 mil militares afegãos e alguns combatentes da Dinamarca, Estônia e Canadá estão envolvidos na ofensiva.

O objetivo da investida é devolver às autoridades locais o controle sobre a localidade de Marjah e acabar com o domínio talibã em boa parte dos núcleos populacionais ao redor do rio Helmand, que cruza a província de mesmo nome de norte a sul.

Três soldados americanos das tropas comandadas pela Otan também morreram hoje na explosão de uma bomba de fabricação caseira no sul do Afeganistão. Mas um porta-voz da organização confirmou à Efe que o ataque foi fora de Helmand e não esteve relacionado à operação, a maior lançada no país desde a queda do regime talibã, em 2001.

Horas após o lançamento da ofensiva, o ministro da Defesa do Afeganistão, general Abdul Rahim Wardak, concedeu uma entrevista em Cabul para dar informações sobre a investida. Segundo ele, até agora as tropas aliadas se depararam com episódios de "resistência esporádica".

"No flanco, os rebeldes minaram profusamente a região. Portanto, temos que ir devagar no processo de limpar a área (de insurgentes).

Por enquanto, o avanço segue conforme o previsto", resumiu.

O ministro afirmou ainda que, no passado, as forças estrangeiras e afegãs expulsaram os insurgentes de alguns de seus redutos. Porém, após o esforço militar "não havia uma presença permanente das forças de segurança" protegendo os civis.

Wardak garantiu que, desta vez, os soldados permanecerão sobre o terreno. Ele também espera que a magnitude da ofensiva desanime os talibãs que atuam em outros províncias e os faça procurar o diálogo com as autoridades, algo que a comunidade internacional autorizou na Conferência de Londres, realizada no fim do mês passado.

"Precisaremos ter mais êxitos (militares) para criar esta percepção", admitiu.

Outra preocupação do Governo afegão são as consequências humanas desta ofensiva. Por esta razão, o presidente do país, Hamid Karzai, pediu hoje às tropas internacionais que, durante a operação contra os talibãs, evitem ferir ou matar civis.

Em nota, Karzai fez um apelo ao comando militar internacional para que não recorra a bombardeios em áreas povoadas por civis.

O presidente também disse que a ofensiva é uma oportunidade para os rebeldes interessados em abandonar a violência "se reintegrarem à vida civil".

Nos últimos dois anos, Karzai denunciou várias vezes a morte de civis em ataques aéreos e operações noturnas promovidas pelos EUA.

Devido a esses incidentes, o chefe das tropas estrangeiras no Afeganistão, o general americano Stanley McChrystal, instituiu no semestre passado uma série de novas regras para os combates no país.

Embora a localidade de Marjah tenha uma população de apenas 80 mil habitantes, o comando militar internacional a considera essencial por ser a única totalmente controlada pelos rebeldes em Helmand, por ter se consolidado como um núcleo do narcotráfico operado pelos talibãs e por sua localização central na província.

"Marjah é o último santuário inimigo na zona de operações dos marines" em Helmand, disse em um comunicado da Isaf o general-de-brigada americano Larry Nicholson.

A localidade é hoje um centro talibã de operações, onde os rebeldes planejam atentados e fabricam bombas escondidas nas estradas, a arma mais letal da insurgência contra os comboios militares da Isaf. EFE lo/sc

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