Aliados do governo argentino marcam passeata contra ruralistas

BUENOS AIRES - Simpatizantes da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, pretendem realizar uma passeata na quarta-feira em apoio à decisão do governo de aumentar os impostos sobre a exportação de grãos, medida que provocou uma greve realizada por produtores rurais que dura quase três semanas.

Reuters |

Grupos sindicais e sociais aliados do governo realizarão um comício à tarde, na frente do palácio presidencial, no centro de Buenos Aires, enquanto milhares de membros do setor agropecuário dão prosseguimento a sua greve. Meios de comunicação argentinos afirmaram que os organizadores da passeata esperavam atrair até 80 mil pessoas.

A greve, que começou no dia 13 de março, provocou uma falta de alimentos no país, paralisou a exportação de grãos e gerou um grande conflito político para a presidente. Na semana passada, membros da classe média argentina realizaram panelaços para dar apoio aos produtores rurais.

Na segunda-feira, Cristina ofereceu algumas concessões aos grevistas, mas descartou a possibilidade de cancelar o novo esquema de alíquotas progressivas de imposto, a principal queixa do setor agropecuário.

Os produtores rurais disseram que as concessões da presidente eram insuficientes e anunciaram a continuação da greve na quarta-feira.

Os representantes do setor reclamam do novo esquema de cobrança de imposto que substituiu a alíquota fixa de 35 por cento, aumentando o imposto cobrado sobre o grão de soja exportado para 44 por cento.

Os manifestantes bloqueiam estradas e retêm produtos, tornando escassos na capital Buenos Aires itens como carne de vaca, carne de frango e laticínios.

Toneladas de grãos também vêm sendo impedidas de chegar aos portos, obrigando as empresas de exportação a descumprirem contratos e prejudicando o envio do produto para a China e a Europa.

Dezenas de navios usados no transporte de grãos permanecem parados nos portos, à espera de suas cargas.

A Argentina é o terceiro maior exportador de soja do mundo e um dos maiores fornecedor de milho, carne de vaca e trigo.

Cristina diz que os impostos mais altos sobre a exportação de soja ajudarão a controlar a inflação sobre os bens alimentícios na Argentina e a redistribuir a riqueza.

(Por Kevin Gray)

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