Aliados de Sharif protestam em massa no Paquistão contra Zardari

Igor G. Barbero.

EFE |

Islamabad, 26 fev (EFE).- Seguidores da Liga Muçulmana-N, do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif, organizaram hoje protestos por todo o Paquistão, após uma decisão judicial que deu o golpe de misericórdia na precária cooperação entre as forças políticas que expulsaram do poder o presidente Pervez Musharraf (1999-2008).

Milhares de pessoas protestaram nas cidades mais importantes do país contra a decisão de ontem do Tribunal Supremo (TS) de declarar "inelegíveis" como deputados Sharif e seu irmão Shahbaz, já que os dois foram condenados judicialmente.

A decisão causou a dissolução do Governo da província de Punjab, que era presidida por Shahbaz Sharif em coalizão com o Partido Popular (PPP), do presidente paquistanês, Asif Alí Zardari.

Em algumas localidades, especialmente de Punjab, reduto eleitoral da Liga-N, foram registrados distúrbios, detenções de dezenas de militantes e deputados, enquanto muitos comércios fecharam suas portas, informou a imprensa local.

"Estes tribunais inconstitucionais não podem me impedir de ser eleito. O único veredicto válido é o das massas", expressou Sharif na cidade industrial de Sheikhupura, em um comício transmitido ao vivo pela TV paquistanesa.

"O povo não está preparado para aceitar a decisão do tribunal", assegurou Sharif, apontado pelas pesquisas como o político mais popular do Paquistão, e que até agora tinha exercido uma oposição "tranqüila" ao Governo do PPP.

Os analistas advertem para "o princípio de uma grande crise nacional" com a luta entre os dois principais partidos do Paquistão, que estão em conflito sobre a volta ao poder dos magistrados que Musharraf expulsou em 2007 quando ainda era presidente.

"A sentença indica uma mudança qualitativa. Se o PPP não cumprir seus compromissos seremos obrigados a lutar, e a situação pode levar à desobediência civil; não podemos aceitar um regime ditatorial", disse à Agência Efe o porta-voz da Liga-N, Sidiq Farouk.

Sharif e Zardari acertaram após as eleições legislativas do ano passado uma coalizão de Governo nacional que durou apenas alguns meses, até que juntos forçaram a renúncia de Musharraf.

A Liga-N justificou sua saída do Governo central com a recusa do PPP de reabilitar cerca de 60 magistrados do Supremo e outros tribunais superiores expulsos durante o Estado de exceção declarado por Musharraf em novembro de 2007.

Durante os últimos meses, o PPP reabilitou em seus cargos a maioria destes juízes, mas sem retirar do poder os que tomaram posse durante o Estado de exceção.

O ex-presidente do Tribunal Supremo Iftikhar Chaudhry, no entanto, não voltou a seu cargo, acusado por Zardari de ser "politizado", enquanto Sharif defendeu seu retorno à magistratura.

Antes de ser expulso, Chaudhry comandava uma investigação contra a anistia declarada por Musharraf que permitiu o retorno do exílio de Zardari e sua esposa - depois assassinada - Benazir Bhutto.

Agora, a Liga-N manifestou sua intenção de apoiar uma "longa manifestação" pela restauração dos magistrados, que acontecerá em março.

Além disso, a decisão do TS parece apunhalar definitivamente a frágil coalizão entre o PPP e a Liga de Sharif no Punjab, a região mais povoada e próspera do país.

A decisão do Supremo levou o governador de Punjab, Salman Taseer, um empresário e ex-dirigente do PPP, a assumir de forma interina o posto de chefe de Governo provincial, que ontem Shahbaz Sharif teve que abandonar.

"Obedecemos a nossa obrigação constitucional", justificou o primeiro-ministro paquistanês, Yousef Raza Guilani, do PPP, que disse à Liga-N que "a ausência de consenso nacional prejudicará o processo democrático", segundo a emissora "Dawn TV".

Zardari presidirá hoje uma reunião do comitê executivo do partido para analisar a situação política do país após a sentença do Supremo. EFE igb/mh

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